Resultados de um teste genético que apresentam uma maior probabilidade de estarem relacionados com o motivo clínico pelo qual o mesmo foi requisitado.
Os resultados dos testes genéticos podem estar relacionados com o motivo clínico pelo qual são requisitados (achados relevantes) ou não (achados incidentais). No caso dos testes genómicos, é frequente observarem-se achados incidentais, porque esses testes avaliam uma quantidade maior de informação do genoma do que os testes mais dirigidos a uma região específica.
A distinção entre relevante e incidental é muito importante para o aconselhamento genético da pessoa e/ou família, especialmente para calcular o risco de doença genética de forma mais precisa.
(Ver também: Genómico, Genoma, Aconselhamento Genético)
Processo que permite ajudar a pessoa a entender e adaptar-se às implicações genéticas, médicas, psicológicas e familiares que alguns fatores genéticos podem ter na sua saúde.
O aconselhamento genético antes e depois da realização de testes genéticos/genómicos é fundamental. Fornece às pessoas informação correta sobre os testes disponíveis, bem como as suas vantagens e desvantagens, para que elas possam tomar a decisão que melhor se adapte a si e à sua situação. Após a realização de teste(s), o aconselhamento ajuda na interpretação dos resultados e a entender as suas potenciais implicações dos mesmos. Possibilita, ainda, avaliar os riscos de uma dada alteração genética para a pessoa e para a sua família. Dada a complexidade e potencial impacto de todas essas informações, o aconselhamento deve ser efetuado por profissionais de saúde especializados.
Cromossoma cujo centrómero se localiza na extremidade do cromossoma, em vez da posição central como se verifica na maioria dos outros cromossomas. Na espécie humana, existem cinco pares de cromossomas acrocêntricos (pares 13, 14, 15, 21 e 22).
(Ver também: Cromossoma, Centrómero)
Os braços curtos dos cromossomas acrocêntricos em geral não contêm material genético com relevância clínica. Isto significa que, ainda que haja uma perda dos mesmos não são esperadas consequências para a saúde. Isto é o que ocorre num tipo de alteração cromossómica denominada translocação robertsoniana. Estas anomalias envolvem a união entre os braços longos de dois cromossomas acrocêntricos, sem que haja perda nem ganho de material genético relevante. Isto significa que este tipo de translocação é geralmente equilibrada. Mas, quando a pessoa transmite a translocação aos descendentes, estes podem ter material genético extra ou em falta. Nesse caso, a translocação seria desequilibrada e ter consequências clínicas.
(Ver também: Braço curto, Translocação, Braço longo, Desequilibrado)
A adenina (A) é uma das quatro bases químicas do ADN e do ARN. As outras três são citosina (C), guanina (G) e timina (T) no ADN, esta última substituída por uracilo (U) no ARN. No ADN, a adenina emparelha com a base timina e, para a produção do ARN, com a base uracilo.
(Ver, também, ADN, ARN, Citosina, Guanina, Timina e Uracilo.
A cadeia dupla de ADN contém a informação genética de uma célula. Serve de molde para produzir novas cadeias de ADN e, também, para produzir a cadeia de ARN mensageiro que vai transportar essa informação e permitir que a célula produza proteínas. O emparelhamento das bases A-T e C-G, feito por ligações de hidrogénio, é muito importante para que a informação seja transmitida corretamente. Se houver uma alteração numa das bases, a sequência é modificada e pode resultar numa variante que cause doença.
(Ver também: Célula, ARN mensageiro, Proteína, Variante)
O ADN (em português, ácido desoxirribonucleico) ou ADN (sigla internacional, do inglês deoxyribonucleic acid) é a molécula que contém a informação genética de uma célula, tecido, ou indivíduo. A estrutura tem um aspeto semelhante a uma escada “em caracol”, porque as duas cadeias “enrolam-se” entre si, formando uma espiral – a chamada dupla hélice.
(Ver também: Célula, Dupla hélice)
Saiba mais neste vídeo: DNA: Os ficheiros secretos | Ep. 5
O ADN é constituído por blocos (os nucleótidos) que diferem nas bases químicas que os compõem – adenina (A), citosina (C), guanina (G) e timina (T). As bases de uma cadeia emparelham exatamente com as da outra cadeia (A-T; C-G), ou seja as cadeias que formam a dupla hélice de uma molécula de ADN são complementares, ou seja como chave e fechadura. As instruções contidas nessas moléculas incluem toda a informação necessária para o crescimento e funcionamento do corpo. Se houver alterações na sequência do ADN elas podem ter consequências importantes na saúde da pessoa.
(Ver também: Nucleótido, Base, Adenina, Citosina, Guanina, Timina)
Forma alternativa (variante) de uma sequência de ADN que existe numa posição específica (locus) de um cromossoma. Para a maioria dos genes, uma pessoa herda um alelo da mãe e outro do pai. Se os dois alelos forem iguais a pessoa é homozigótica. Se os alelos forem diferentes, a pessoa é heterozigótica.
(Ver também: Variante, Locus, Gene, Herdado, Homozigótico, Heterozigótico)
Cada forma alternativa da sequência de ADN é uma variante. Pode ser uma variante benigna (não causar doença) ou patogénica (causar doença). Assim, alguns alelos (mas nem todos) podem ter consequências clínicas. Ex.: no gene BRCA1 foram identificadas mais de 1000 variantes patogénicas, ou seja, mais de 1000 alelos que podem causar doença.
(Ver também: ADN, Variante, Variante benigna, Variante patogénica)
Os aminoácidos são os “blocos de construção” químicos que compõem as proteínas. Existem 20 aminoácidos diferentes, que podem ser combinados de modos variados, para formar as várias proteínas produzidas pelo nosso corpo.
(Ver também: Proteína)
Uma proteína é formada por uma ou várias cadeias de aminoácidos (chamadas polipéptidos), cuja sequência é determinada pela sequência de ADN no gene respetivo. A ordem dos aminoácidos determina a estrutura e função da proteína. Assim, alterações na sequência de ADN podem afetar a função da proteína. O estudo dessas alterações pode ajudar a perceber a causa de uma doença e avaliar o tratamento a aplicar.
Procedimento que permite colher uma pequena amostra de células do líquido amniótico que rodeia um feto, para efetuar alguns tipos de testes (genéticos ou não).
Algumas doenças genéticas podem ser diagnosticadas durante a gravidez a partir de células fetais. A amniocentese é um dos vários processos que permitem obter material genético do feto para efetuar esses testes genéticos. Os riscos deste procedimento devem ser previamente discutidos com a grávida/casal para que possam tomar uma decisão informada.
Aumento do número de cópias de um gene contidas no genoma de uma pessoa.
As células de tumores contêm, muitas vezes, múltiplas cópias de um gene (ou genes). Tal contribui para o seu crescimento em resposta a sinais de outras células ou a fatores ambientais.
(Ver também: Célula, Cancro, Gene, Fatores ambientais)
Presença de um número anormal de cromossomas numa célula, superior ou inferior ao número normal que, no ser humano, é 46. As aneuploidias mais comuns envolvem um cromossoma extra num determinado par de cromossomas (ou seja, uma trissomia) ou um cromossoma em falta num determinado par (isto é, uma monossomia).
(Ver também: Cromossoma, Célula, Trissomia, Monossomia)
Algumas das doenças genéticas mais comuns resultam de aneuploidia.
A maioria das monossomias não é compatível com a vida, exceto a monossomia do cromossoma X. No caso das trissomias, existe uma probabilidade alta de malformações graves no feto, o que resulta em abortos espontâneos em fases iniciais da gravidez.
Algumas trissomias e monossomias têm uma maior taxa de sobrevivência, incluindo a síndrome de Down (por trissomia do cromossoma 21), a síndrome de Edwards por (trissomia do cromossoma 18), a síndrome de Patau (por trissomia do cromossoma 13) e as síndromes de Turner (monossomia do cromosoma X) e de Klinefelter (XXY). As células de alguns tumores também podem apresentar aneuploidia, o que pode promover o crescimento e a evolução do tumor e condicionar a resposta à terapia.
(Ver também: Cromossoma X, Síndrome, Cancro)
Alteração (genética ou não) que está presente desde o nascimento.
Estas anomalias podem ser transmitidas pelos progenitores aos seus descendentes (isto é, serem hereditárias) ou terem sido geradas de novo durante o desenvolvimento embrionário, em resultado de uma ação/exposição a fatores externos durante a gravidez (ou no nascimento). Podem, ainda, ser causadas por uma combinação de ambas as causas.
(Ver também: Hereditário De novo, Fatores ambientais)
Alteração que afeta o número e/ou a estrutura dos cromossomas.
(Ver também: Cromossoma)
As anomalias cromossómicas, e as doenças que delas resultam (cromossomopatias), são as alterações genéticas mais frequentes no ser humano. Podem afetar o número (anomalias numéricas) ou a estrutura (anomalias estruturais) dos cromossomas. As consequências para o fenótipo dependem do tipo de alteração e do(s) cromossoma(s) envolvido(s).
(Ver também: Cromossomopatias, Cromossomas, Fenótipo)
O ARN (ácido ribonucleico), ou RNA (sigla internacional, do inglês ribonucleic acid), é um tipo de ácido nucleico, ou seja é uma molécula que, tal como o ADN, é composta por nucleótidos. Existem vários tipos de ARN, com funções diferentes na célula.
(Ver também: Ácido nucleico, ADN, Nucleótido, Célula)
Saiba mais neste vídeo: RNA: Os intérpretes | Ep. 6
O ARN, tal como o ADN, é constituído por nucleótidos que diferem nas bases químicas que os compõem – adenina (A), citosina (C), guanina (G) e uracilo (U) – mas, neste caso, tem a ribose, em vez da desoxirribose existente no ADN. A cadeia de ARN mensageiro é produzida tendo a cadeia de ADN como molde que determina o correto emparelhamento dos nucleótidos (A-U; C-G) . Isto significa que a cadeia de uma molécula de ARN mensageiro (mRNA) é complementar à cadeia de ADN que lhe serve de molde. O ARN é muito importante para a célula descodificar a informação contida no ADN e produzir proteínas. O ARN mensageiro é produzido a partir do ADN, e transporta a informação para fora do núcleo. Outros tipos de ARN copiados de genes são o ARN ribossomal, que é parte constituinte dos ribossomas, e o ARN de transferência que transporta os aminoácidos para que, nos ribossomas, se produzam as proteínas de acordo com a informação contida no mRNA. Alguns tipos de ARN também participam na regulação da expressão dos genes. Além das alterações na sequência do ADN, erros na produção ou processamento da cadeia de ARN podem ter consequências importantes na saúde de um indivíduo.
(Ver também: Base, Adenina, Citosina, Guanina, Uracilo, ARN mensageiro, Proteína, Núcleo, Gene, Ribossoma, Aminoácido, Expressão génica)
Tipo de ARN de cadeia simples que está envolvido na produção de proteínas.
O ARN mensageiro é produzido como cópia de uma cadeia de ADN que serve de molde. A sua função é transportar a informação de um gene (contido no núcleo de uma célula), para o citoplasma (meio líquido no interior da célula) onde está localizada a “maquinaria” (ribossomas) que irá ler a informação e produzir a proteína correspondente. Isto significa que o mARN transporta uma cópia da informação do ADN e transmite-a aos ribossomas, onde são unidos os aminoácidos, formando-se uma cadeia (péptido) que irá fazer parte da proteína que estava codificada no ADN.
Se estudarmos o conjunto das sequências de mARN presentes numa célula, por técnicas específicas de sequenciação, podemos perceber quais os genes que estão “ativos” (isto é, a serem expressos) e os que não estão. Esta informação pode ser importante para detetar anomalias na atividade dos genes, o que pode ser útil para identificar possíveis alvos para tratamento, com medicamentos que bloqueiem ou estimulem a atividade desses genes (regulação da expressão génica).
(Ver também: ADN, Gene, Núcleo, Célula, Citoplasma, Ribossoma, Proteína, Aminoácido, Péptido, Sequenciação de ADN, Expressão génica)
Qualquer um dos pares de cromosossomas (1-22) humanos, excepto o par de cromossomas sexuais (X e Y).
(Ver também: Cromossoma, Cromossoma sexual, Cromossoma X, Cromossoma Y)
Uma célula com 46 cromossomas tem duas cópias de cada um dos 22 autossomas. Estes são numerados do 1 ao 22. Os cromossomas de cada par são herdados, um da mãe e outro do pai. Uma pessoa pode herdar um autossoma que contenha uma variante genética patogénica.
(Ver também: Herdado, Variante, Variante patogénica)
Um dos tipos de doença ou característica genética. Autossómica significa que o gene está localizado num autossoma (um dos pares de cromossomas 1 a 22). Dominante significa que basta que um dos alelos alterados de um gene esteja presente para que a característica que ele codifica se manifeste, mesmo que o outro alelo seja normal. Diz-se que o alelo, a característica, ou a doença, têm transmissão autossómica dominante.
(Ver também: Autossoma, Gene, Alelo)
Uma pessoa que tenha um alelo de transmissão autossómica dominante tem uma probabilidade de cerca de 50% de o transmitir aos descendentes. Se esse alelo causar doença, isso significa que há um risco muito aumentado de a doença ser transmitida de geração em geração.
A doença de Huntington e os cancros hereditários são exemplos de doenças com este tipo de transmissão genética.
(Ver também: Hereditário, Cancro)
Um dos tipos de doença (ou característica) genética. Autossómica significa que o gene está localizado num autossoma (um dos pares 1 a 22). Recessiva significa que são necessárias duas cópias do alelo de um gene para que a característica que ele origina se manifeste. Diz-se que o alelo, a característica, ou a doença, têm transmissão autosómica recessiva.
(Ver também: Alelo, Gene, Autossoma)
Uma pessoa só herdará uma característica de transmissão autossómica recessiva se herdar dois alelos iguais de um gene, um da mãe e um do pai. Essa pessoa será homozigótica para esse alelo. Se tiver apenas um alelo alterado, e o outro normal, será heterozigótica. Se o alelo causar doença, as pessoas homozigóticas serão afetadas, mas as heterozigóticas não, embora sejam portadoras. Se ambos os progenitores forem portadores (heterozigóticos) terão um risco de cerca de 25% de transmitir a doença aos descendentes.
A anemia das células falciformes e a fibrose quística são dois exemplos de doenças com este tipo de transmissão.
(Ver também: Alelo, Homozigótico, Heterozigótico)
Existem quatro bases orgânicas no ADN e no ARN. Adenina (A), citosina (C), guanina (G) e timina (T) no ADN. O ARN possui uracilo(U), em vez de timina. No ADN, a adenina emparelha com a timina e, no ARN, com o uracilo. A citosina emparelha com a guanina em ambos.
(Ver também: ADN, ARN, Adenina, Citosina, Guanina, Timina, Uracilo)
A cadeia dupla de ADN contém a informação genética de uma célula. Serve de molde para produzir novas cadeias de ADN e, também, para produzir a cadeia de ARN mensageiro, que vai transportar essa informação para fora do núcleo e permitir que a célula produza proteínas. O emparelhamento das bases A-T (ou A-U), C-G é muito importante para que a informação seja transmitida corretamente. Se houver uma alteração numa das bases, a sequência é modificada, podendo resultar numa variante que causa doença.
(Ver também: ARN mensageiro, Célula, Núcleo, Proteína, Variante)
Área científica que, quando aplicada à Genética/Genómica Humana, utiliza tecnologias de computadores (informática) para recolher, analisar, interpretar e armazenar dados e informação biológicos (p.ex.: sequências de ADN ou de aminoácidos).
(Ver também: Genética, Genómica, ADN, Aminoácidos)
Os profissionais de saúde e investigadores podem analisar dados obtidos de amostras de doentes e compará-los com os existentes em bases de dados públicas onde essa informação biológica está organizada e classificada. Assim, será possível aumentarem o seu conhecimento sobre a saúde e doença sendo que, em alguns casos, esta estratégia faz já parte dos cuidados de saúde. O desenvolvimento tecnológico permite obter cada vez mais dados, tornando a análise bioinformática uma abordagem essencial.
Procedimento médico que permite colher uma pequena amostra de células de uma região da placenta denominada vilosidades coriónicas, para efetuar determinados tipos de testes, incluindo os testes genéticos.
(Ver também: Célula, Teste genético)
Algumas doenças genéticas podem ser diagnosticadas no feto durante a gravidez, a partir de células fetais. A BVC é um dos vários processos que permite obter material genético do feto para efetuar os testes genéticos. As células obtidas através da BVC são originárias da placenta tendo, normalmente, o mesmo genoma do feto. Excetuam-se alguns casos, em que uma variante surge na placenta mas não no feto.
Os riscos deste procedimento devem ser previamente discutidos com a grávida/casal, para que possam tomar uma decisão informada.
ver Par de bases
O “braço” mais pequeno de um cromossoma, medido de acordo com a distância ao centrómero. O “p” vem do francês petit, que significa “pequeno”.
(Ver também: Cromossoma, Centrómero)
Cada cromossoma tem um centrómero (uma região de constrição). Este pode estar localizado em qualquer região ao longo do comprimento do cromossoma, exceto nas extremidades (designadas telómeros). Em geral, o centrómero não se localiza exatamente no centro do cromossoma, pelo que uma das secções (os “braços”) que ficam de cada lado é sempre (ligeiramente ou muito) menor do que a outra. O braço que é menor é chamado “braço curto” ou “p” (do francês petit). A posição em que o centrómero se encontra em cada cromossoma permite classificá-lo, e serve como ponto de referência para localizar genes num genoma, ou alterações (variantes) relevantes dentro de cada gene.
Por exemplo, o gene HBB, onde pode ocorrer a variante que causa a anemia falciforme, está localizado no cromossoma 11, na posição 15.4 do braço curto (p), ou seja, na posição 11p15.4.
O “braço” mais comprido de um cromossoma, medido de acordo com a distância ao centrómero.
(Ver também: Cromossoma, Centrómero)
Cada cromossoma tem um centrómero. Este pode estar localizado em qualquer região ao longo do comprimento do cromossoma, exceto nas extremidades (telómeros). Em geral, o centrómero não se localiza exatamente no centro do cromossoma, pelo que uma das secções (os “braços”) que ficam de cada lado é sempre (ligeiramente ou muito) maior do que o outro. O braço que é maior é chamado “braço longo” ou “q”. A posição em que o centrómero se encontra em cada cromossoma permite classificá-lo e serve como ponto de referência para localizar genes num genoma ou variantes relevantes dentro de cada gene.
Por exemplo, a fibrose quística surge em resultado da presença de determinadas variantes no gene CFTR, o qual está localizado no braço longo (q) do cromossoma 7, na região 7q31.2.
Os genes BRCA1 e BRCA2 fazem parte de um grupo de genes que tem como função regular o crescimento das células. Esse tipo de genes é designado, por isso, genes supressores de tumor. Os genes BRCA1 e BRCA2 foram os primeiros a serem associados a formas familiares de cancro da mama e do ovário.
As pessoas com alterações (variantes), patogénicas ou provavelmente patogénicas, em algum destes genes têm um risco muito aumentado de vir a desenvolver cancro (da mama, do ovário, ou outros tipos de cancro), do que as pessoas que não tenham essas alterações. Ambos os genes são normalmente supressores de tumor, ou seja, ajudam a regular a multiplicação das células ou a integridade do genoma. A maioria das pessoas tem duas cópias ativas destes genes. Se uma das cópias ficar inativa logo à nascença, devido a uma alteração na sua sequência de ADN herdada de um dos progenitores, as células ficam com apenas uma cópia a funcionar. Se essa cópia também sofrer uma alteração que a inative, as células multiplicam-se descontroladamente, provocando o aparecimento de um tumor (cancro).
Além do cancro da mama e ovário, foram já identificadas alterações (variantes) nos genes BRCA1 e/ou BRCA2, associadas a outros tipos de cancro como, por exemplo, cancro da próstata ou do pâncreas.
Em geral, os testes genéticos dirigidos a detetar alterações (variantes) nestes genes são realizados quando existe uma história familiar de cancro associado a alterações nos genes BRCA ou, ainda, quando o indivíduo desenvolve cancro em idade jovem.
(Ver também: Variante, ADN, Tumor, História familiar)
Cancro (ou tumor) é um termo geral aplicado a doenças que surgem quando algumas células do corpo se multiplicam descontroladamente.
(Ver também: Célula)
Há vários tipos de cancro, com características e evolução diferentes e origem em diferentes partes do corpo. Um conjunto de células que se multiplica descontroladamente (tumor) pode afetar o normal funcionamento dos tecidos e órgãos à sua volta. Nessas células cancerosas existem alterações no ADN, que podem ocorrer por erros durante a replicação do ADN ou por danos causados por exposição a agentes ambientais (ex.: raios solares ultra-violeta ou fumo de cigarro). Se houver mais alterações genéticas nessa célula, o tumor pode espalhar-se (criar metástases) para outras regiões do corpo. Em alguns casos, as variantes que causam doença (variantes patogénicas) podem ser variantes herdadas (ex.: variantes nos genes BRCA), o que aumenta muito o risco de uma pessoa vir a ter cancro.
(Ver também: Replicação, Variante patogénica)
Em Genética Humana, uma característica é um traço específico de um indivíduo. Embora referir-se a uma doença, o termo também se aplica a traços benignos.
As características de um indivíduo podem ser determinadas por genes, por fatores ambientais ou por uma combinação de ambos. Podem ser qualitativas (p.ex.: cor dos olhos ou da pele) ou quantitativas (p.ex.: tensão arterial ou altura). Uma característica é parte do fenótipo (global) de uma pessoa.
(Ver também: Gene, Fatores ambientais, Fenótipo)
Substância, agente ou organismo com propriedades que podem causar cancro.
Os carcinogénios podem ter origem natural (exs.: raios solares ultra-violeta, determinados vírus) ou podem ser criados pelo Homem (exs.: fumo de cigarro, fumo libertado pelos automóveis). A maioria dos carcinogénios atacam e alteram a sequência de ADN das células, produzindo variantes que causam doença (patogénicas).
(Ver também: ADN, Célula, Variante, Variante patogénica)
O cariótipo é o conjunto completo de cromossomas (constituição cromossómica) de uma célula, tecido ou pessoa. Termo também utilizado para designar o teste genético que permite estudar a constituição cromossómica de um indivíduo.
(Ver também: Cromossoma, Célula)
O estudo do cariótipo permite identificar alterações grandes (>5-10 megabases) no genoma. Algumas dessas alterações podem causar doenças genéticas, denominadas cromossomopatias). Estas incluem as que afetam o número total de cromossomas, como as aneuploidias (ex.: trissomias dos cromossomas 21, 18 e 13, que causam as síndromes de Down, Edwards e Patau, respetivamente). O estudo permite, ainda, detetar alterações (grandes) na estrutura dos cromossomas, como translocações (troca entre material de dois cromossomas diferentes, sem perdas/ganhos de material genético), deleções (em que há perda de material genético) e duplicações (em que há ganho de material genético), entre outras. Essas alterações de estrutura podem ser equilibradas (não envolvendo ganhos nem perdas de material genético) ou desequilibradas (associadas a ganhos e/ou perdas de material genético). Estas últimas podem provocar doenças genéticas, tais como a síndrome de DiGeorge e alguns tipos de leucemia.
(Ver também: Par de bases, Genoma, Cromossomopatia, Aneuploidia, Translocação, Deleção, Duplicação, Equilibrada, Desequilibrada)
ver Rastreio de ADN livre
As células são as unidades básicas e estruturais de que é constituído o corpo humano. Temos cerca de 200 tipos diferentes de células no corpo humano, as quais dão forma aos tecidos e órgãos e desempenham todas as funções necessárias para manter o corpo a funcionar. As células humanas são cobertas por uma membrana, que rodeia o meio líquido no interior da célula (citoplasma) o qual, por sua vez, contém os organelos celulares com funções especializadas, incluindo o núcleo (onde está contido o ADN).
(Ver também: Membrana, Citoplasma, Organelo, Núcleo, ADN)
(Saiba mais neste vídeo: GenAnimatEd: Os genes no país das células | Ep. 3
A saúde de um indivíduo depende do correto funcionamento das células do seu corpo. Tanto a função como a estrutura da maioria das células é determinada pelo ADN contido no seu núcleo e, também, pela resposta ao ambiente em que o indivíduo está inserido. Assim, se houver alterações no ADN, isso pode resultar em alterações na estrutura e função das células que o contêm, podendo daí advir consequências para a saúde dessa pessoa.
Uma célula que contém um núcleo.
A maioria das células existentes no nosso corpo contém um núcleo, onde está localizado o seu genoma. Algumas células especializadas não contêm núcleo (enucleadas), como os glóbulos vermelhos e as plaquetas e não possuem, por isso, nenhuma cópia do genoma. Assim, todos os testes genéticos/genómicos que necessitem de ADN extraído de células, só podem ser realizados a partir de amostras biológicas que contenham células nucleadas.
(Ver também: Genoma)
Células que têm o potencial de dar origem a todos os outros tipos de células do corpo humano.
(Ver também: Célula)
Apenas numa fase muito inicial do desenvolvimento, as células do embrião têm a capacidade de dar origem a todos os tipos de células do corpo. Durante as fases seguintes do desenvolvimento, a maioria das células especializa-se para formar tecidos, cada um com uma estrutura e funções específicas.
Dado que as células estaminais pluripotentes podem transformar-se em qualquer tipo de célula têm, por isso, o potencial de ser aplicadas na biomedicina para, por exemplo, criar órgãos para transplante ou tecidos para reparação de feridas ou queimaduras.
Todas as células do corpo, exceto as que levam à produção de gâmetas (células reprodutivas).
(Ver também: Gâmetas)
O ADN destas células pode alterar-se ao longo da vida (p. ex.: por exposição a agentes externos), mas essas alterações (variantes) não são transmitidas aos descendentes. Por outro lado, essas variantes podem levar a que a pessoa venha a ter um cancro esporádico. Neste caso, o ADN do tumor pode ser analisado e comparado com o das outras células da mesma pessoa e essa informação ser usada para diagnóstico, avaliação da progressão da doença e eventual tratamento.
Células geneticamente idênticas que se formam quando uma dada célula passa pelo processo de divisão celular.
(Ver também: Célula, Divisão celular)
Antes da divisão celular, ocorre uma duplicação dos cromossomas, sendo cada cromossoma homólogo constituído por dois cromatídeos-irmãos unidos por um centrómero. Os cromatídeos-irmãos migram para um “pólos” opostos na célula e, em seguida, ela divide-se formando duas células com conteúdo equivalente de ADN. Essas células-filhas são, assim, geneticamente idênticas. Daqui resulta que, se ocorrer uma alteração, na célula original ou durante a divisão celular, ela será transmitida às células-filhas.
(Ver também: Divisão celular, Cromossoma, Cromatídeo)
Região de um cromossoma, com aspeto de uma constrição, muito importante para os processos de divisão celular, mitose e meiose, em que ocorre a distribuição do ADN pelas células-filhas. Essa constrição separa cada cromossoma em duas regiões: o braço curto (também designado por “p”) e o braço longo (também designado por “q”).
(Ver também: Cromossoma, Divisão celular, Mitose, Meiose, ADN, Célula-filha, Braço curto, Braço longo)
As sequências de ADN da região do centrómero são muito repetitivas e não contêm genes. É através desta região que cada cromossoma se liga às fibras de uma estrutura denominada fuso acromático, durante a divisão da célula. Na mitose normal, uma cópia de cada cromossoma (cromatídeo) desloca-se ao longo dessas fibras, migrando cada um para cada célula-filha. Na meiose normal são os homólogos de cada cromossoma que são separados. Se essa migração não decorrer normalmente, as duas cópias ou os dois homólogos podem migrar para a mesma célula-filha (não-disjunção), em vez de cada um para migrar para cada célula-filha. Este é o mecanismo que está na base das anomalias cromossómicas numéricas mais frequente – as aneuploidias.
(Ver também: Gene, Homólogo, Aneuploidia)
Processo pelo qual uma célula se divide para dar origem a duas células-filhas idênticas. Consiste em várias fases, altamente reguladas por várias moléculas diferentes. Durante este processo, ocorre primeiro a duplicação de todo o conteúdo da célula (incluindo o ADN), e depois a distribuição pelas células-filhas.
(Ver também: Célula, Célula-filha, ADN)
Se houver perturbações na regulação do ciclo celular, poderá haver alterações do crescimento das células. Esse crescimento pode sofrer uma paragem ou, pelo contrário, prosseguir descontroladamente, tal como em algumas doenças (p.ex.: cancro).
Estudo, por métodos de matemática aplicada ou estatística, de conjuntos muito grandes e complexos de dados, para extrair informação relevante e prever desfechos.
Quando aplicado à Genómica Humana, este estudo envolve um grande conhecimento em áreas como a bioinformática e a bioestatística. A interpretação da informação recolhida pode permitir conhecer melhor a saúde e, em alguns casos, contribuir para o diagnóstico, cálculo de risco e acompanhamento adequado de doentes e famílias.
(Ver também: Genómica, Bioinformática)
Área da Genética Humana que estuda os cromossomas e a forma como são transmitidos à descendência. Estuda, ainda, o impacto que a constituição cromossómica (cariótipo) de uma pessoa pode ter na sua saúde.
(Ver também: Cromossoma, Cariótipo)
O estudo dos cromossomas humanos pode ser efetuado através de vários testes diferentes (cariótipo, microarray, estudo molecular). O estudo do cariótipo permite detetar alterações grandes, tanto no número como na estrutura dos cromossomas. O teste de microarray permite detetar ganhos e perdas de menor tamanho, mas não permite avaliar a morfologia dos cromossomas. O estudo molecular (exs: QF-PCR, MLPA) pode ser aplicado a regiões específicas dos cromossomas, para avaliar perdas e/ou ganhos dessas regiões, que possam estar envolvidos na condição clínica da pessoa que está ser estudada.
(Ver também: Cariótipo, Microarray)
A citosina (C) é uma das quatro bases químicas do ADN e do ARN. As outras três são adenina (A), guanina (G) e timina (T) no ADN, esta última substituída por uracilo (U) no ARN. A citosina emparelha com a base guanina, tanto no ADN como no ARN.
(Ver também: ADN, ARN, Adenina, Guanina, Timina, Uracilo)
A cadeia dupla de ADN contém a informação genética de uma célula. Serve de molde não só para a produção de novas cadeias de ADN mas, também, para a produção da cadeias de ARN que vão transportar essa informação e permitir que a célula produza proteínas. O emparelhamento das bases A-T, C-G é muito importante para que a informação seja transmitida corretamente. Se houver uma alteração numa das bases, a sequência é modificada, podendo daí resultar uma alteração (variante) causadora de doença.
No contexto da Genética/Genómica Humana, a clonagem envolve técnicas que permitem produzir cópias idênticas (ou quase) de um organismo, célula ou sequência de ADN.
(Ver também: Genética, Genómica, Célula, ADN)
No caso da clonagem molecular, feita em laboratório, o objetivo é isolar e “copiar” uma determinada secção de ADN, para poder estudá-la com maior detalhe. Este processo é diferente da clonagem de um organismo ou de uma célula (mais frequentes nos processos de reprodução medicamente assistida). A clonagem molecular permite criar milhares de cópias de um gene, a partir de amostras biológicas (exs: sangue, saliva ou outros tecidos) de um individuo, para fins de diagnóstico ou investigação.
(Ver também: Gene)
Conjunto de células geneticamente idênticas.
(Ver também: Célula)
Quando uma célula se divide através de um processo designado mitose, são produzidas duas células-filhas geneticamente idênticas. Assim, todas as células que tenham tido origem na mesma célula inicial formam um clone. O mesmo ocorre, também, na formação de um tumor, mas se houver uma alteração no ADN de uma dessas células o conjunto já não é um clone. Se a célula com a alteração se multiplicar, todas as células com a mesma alteração formarão um outro clone tumoral. A identificação de alterações (variantes) num conjunto de células de tumor permite, em vários casos, obter um diagnóstico, avaliar a progressão e definir o potencial tratamento dos doentes.
(Ver também: Mitose, Divisão celular, Célula-filha, Tumor, ADN, Variante)
( Do inglês, copy number variant).
Alteração (variante) do ADN em que o número de cópias de uma sequência específica de ADN é diferente de indivíduo para indivíduo. Essas sequências podem ser mais curtas ou mais longas, envolver milhares ou poucos pares de bases e conter ou não um ou mais genes.
(Ver também: Variante, ADN, Par de bases, Gene)
Estas variantes resultam de alterações estruturais como deleções, duplicações ou outras. Uma variante pode envolver um ou mais genes e ter, ou não, efeitos na produção de proteínas. As consequências para a saúde da pessoa dependerão do tipo de alteração e gene(s) envolvido(s).
Alguns tipos de tumor têm alterações estruturais que resultam em variantes de número de cópia. Este tipo de variantes pode também ocorrer em pessoas com outras doenças (p. ex.: epilepsia).
(Ver também: Deleção, Duplicação, Gene, Tumor)
A cobertura é o número de vezes que uma dada base de ADN está representada no conjunto de todas as sequências de ADN obtidas num processo de sequenciação. Quanto mais alto o valor da cobertura, maior é a o grau de confiança de que a(s) base(s) identificada(s) está(ão) corretas. Ou seja, quanto mais altas as coberturas, mais fidedignos os resultados obtidos.
(Ver também: Base, ADN, Sequência, Sequenciação)
Base calling é o processo pelo qual se identificam no laboratório as bases de uma secção de ADN sequenciada. Se o número de vezes que uma base esteja representada numa secção sequenciada for baixo, o grau de certeza de que aquela base existe naquela posição daquela sequência é baixo. Nesse caso, pode impedir a identificação de alterações (variantes) que podem ter impacto na saúde da pessoa.
(Ver também: Variante)
Sequência de três bases no ARN que contém informação para que um determinado aminoácido seja adicionado, quando um péptido está a ser produzido.
(Ver também: Base, ARN, Aminoácido, Péptido)
As bases no ADN servem como um molde que é copiado para a sequência de ARN mensageiro. Um conjunto de três nucleótidos no ADN (tripleto) serve de molde a três nucleótidos no ARN (codão) e esta informação corresponde a um aminoácido específico. Uma sequência de tripletos/codões corresponde a uma cadeia de aminoácidos que fará parte da proteína final que é produzida.
As consequências de alterações no ADN, e no codão correspondente no ARN, podem ser de vários tipos. Vários codões diferentes podem corresponder ao mesmo aminoácido, por isso, uma alteração poderá não ter efeitos na proteína produzida. Por outro lado, se a alteração no ADN levar a um codão que corresponda a um aminoácido diferente, ou a um sinal para produzir uma cadeia de aminoácidos mais curta, tal pode resultar em proteínas com função e/ou estrutura diferentes. Nesse caso, o impacto na saúde depende do papel da proteína no corpo humano.
(Ver também: ADN, Sequência, ARN mensageiro, Codão, Proteína)
A sequência de três bases que inicia o processo de tradução (produção de proteína a partir da informação do ARN mensageiro) de um gene.
(Ver também: Base, Tradução, Proteína, ARN mensageiro, ADN, Gene).
O processo de tradução tem um controlo apertado, sendo muito importante que o processo em si se inicie no local certo no ARN mensageiro.
A existência de um codão de iniciação, geralmente a sequência AUG, permite ao ribossoma (principal estrutura responsável pela produção celular de proteínas), começar o processo no local correto.
Variantes no ADN que afetam este codão impedem que o ribossoma possa produzir a respetiva proteina.
(Ver também: Transcrição, Gene, Codão, ARN, Ribossoma)
Sequência de três bases no ARN que contém informação para que a célula páre de adicionar aminoácidos a uma cadeia (péptido) que esteja a ser produzida. Isto significa que um codão stop sinaliza o fim de uma cadeia de aminoácidos (cadeia peptídica). Existem três codões stop: UAG, UGA e UAA.
(Ver também: Base, ARN, Célula, Aminoácidos, Codão, Cadeia peptídica)
As bases no ADN servem como um molde para produzir a sequência de ARN que, por sua vez, tem a informação para a sequência de aminoácidos numa proteína. Um codão stop sinaliza, em cada gene, a localização do fim de uma cadeia de aminoácidos (cadeia peptídica). Existem 3 codões stop (UAG, UGA e UAA). Se uma alteração no ADN, levar à criação de um codão stop prematuramente no ARN mensageiro, a produção da cadeia peptídica será terminada e a cadeia ficará mais curta. Essas alterações (ou variantes) são designadas por nonsense e podem resultar em proteínas com função e/ou estrutura comprometida. Neste caso, o impacto na saúde dependerá do papel da proteína no corpo humano.
O cancro hereditário do cólon e a beta-talassémia são algumas doenças genéticas que podem ser causadas por variantes nonsense.
(Ver também: ADN, Proteína, ARN mensageiro, Variante)
Região do gene que contém a informação genética específica para uma proteína.
Depois do processo de transcrição, no qual a informação de um gene é copiada para ARN, é formado o ARN mensageiro que apenas contém a informação codificante. A ordem pela qual as bases estão dispostas na sequência de ADN de um gene é específica para a proteína que ele codifica. Essa ordem determina a estrutura da proteína e, em última análise, a sua função.
(Ver também: Transcrição, ARN, Base, ADN, Gene, Proteína)
Instrução contida numa sequência de ADN (gene), que indica à célula como produzir uma proteína específica. A cada sequência de três bases no ADN (tripleto), corresponde uma sequência de três bases no ARN – um codão. Por sua vez, cada codão indica qual o aminoácido específico a ser adicionado a uma determinada posição na cadeia que constitui uma proteína.
(Ver também: ADN, Gene, Célula, Proteína, ARN, Codão, Aminoácido)
As bases no ADN servem de molde para as bases no ARN e, por sua vez, estas têm a informação para a sequência de aminoácidos numa proteína. Vários codões diferentes podem corresponder ao mesmo aminoácido. Um codão específico (AUG, codão de iniciação) indica o início da cadeia e três outros codões (UAG, UGA e UAA – codões stop) indicam o final da mesma.
Devido à natureza deste código de 3 bases, uma alteração no ADN pode resultar num codão que corresponda a um aminoácido diferente (variante missense), ou a um sinal para produzir uma cadeia de aminoácidos mais curta (variante nonsense), tal pode dar origem a proteínas com função e/ou estrutura diferentes. Neste caso, o impacto na saúde depende do papel da proteína no corpo humano.
(Ver também: Base, Codão de iniciação, Codão stop, Variante, Variante missense, Variante nonsense)
Em Genética Humana, a codominância refere-se a um tipo de transmissão genética em que duas versões (alelos) do mesmo gene se expressam simultaneamente, dando origem a coexistirem características diferentes no mesmo indivíduo. Isto significa que em vez de uma característica “dominar” em relação à outra, ambas existem ao mesmo tempo no indivíduo.
(Ver também: Genética Humana, Alelo, Gene, Característica)
O grupo sanguíneo AB nos humanos é um exemplo de codominância. Os indivíduos com esse grupo sanguíneo têm um alelo A e um alelo B. Uma vez que ambos os alelos se expressam ao mesmo tempo, mas em diferentes células, o grupo sanguíneo desses indivíduos é AB.
(Ver também: Célula)
Característica ou anomalia que está presente desde o nascimento.
(Ver também: Característica)
Estas características podem ser transmitidas de pais para filhos (ou seja, são hereditárias), ou resultarem de novo de uma ação ou exposição durante a gravidez ou nascimento (isto é, não são herdadas). Podem, ainda, ser causadas por uma combinação de ambas as causas.
(Ver também: Hereditário)
Medida da associação entre a presença de uma, ou mais, variantes (genótipo) e determinadas características (fenótipo) que a pessoa apresenta.
(Ver também: Variante, Fenótipo, Genótipo)
Estabelecer correlações genótipo-fenótipo permite conhecer melhor os mecanismos que dão origem à doença, as manifestações clínicas, o prognóstico e a resposta ao tratamento em muitas doenças genéticas e tipos de cancro, especialmente quando essa associação é forte.
Em alguns tipos de cancro, por exemplo, é possível agrupar as variantes genéticas em diferentes categorias de risco, cada uma com um tratamento e acompanhamento específicos.
(Ver também: Cancro)
Técnica utilizada para modificar (editar) o ADN, de forma seletiva e com intervenção humana. (CRISPR, do inglês clustered regularly interspaced short palindromic repeats)
(Ver também: ADN)
Esta técnica laboratorial foi adaptada a partir do sistema de defesa de bactérias contra infeções por vírus. Consiste numa cadeia de ARN curta que “guia” uma enzima para “cortar” ou modificar uma sequência de ADN específica. Em humanos, pode ser utilizada para: bloquear uma secção do ADN, remover uma parte da sequência de ADN e/ou inserir novos segmentos de ADN nas células.
A técnica pode ter grandes implicações na medicina futura, mas também levanta questões éticas.
Durante a divisão celular, e após a replicação do ADN (processo em que o ADN se duplica), cada cromossoma é formado por duas moléculas de ADN, unidas numa região de constrição denominada centrómero. Cada uma dessas moléculas é designada por cromatídeo, existindo dois cromatídeos-irmãos em cada cromossoma, até serem separados no início da divisão celular.
(Ver também: ADN, Cromossoma, Centrómero)
A formação de cromatídeos-irmãos é uma fase importante da divisão celular, para garantir que cada célula-filha tenha o número de cromossomas correto. Para que haja essa distribuição, cada cromossoma liga-se pelo centrómero às fibras de uma estrutura denominada fuso acromático, e os cromatídeos de cada cromossoma “migram” para pólos opostos da célula. Em seguida, a célula divide-se em duas, cada uma com uma quantidade idêntica de ADN. Durante a meiose, existe ainda nos gâmetas uma troca entre cromatídeos de dois cromossomas homólogos, num processo denominado recombinação (crossing-over), fundamental para que exista diversidade genética. Em alguns casos, pode haver uma distribuição desigual do ADN para as células-filhas ou o processo de recombinação ser desequilibrado (crossing-over desigual). Daí pode resultar perda e/ou ganho de material genético nas células, tal como acontece em algumas doenças genéticas.
(Ver também: Divisão celular, Célula-filha, Cromossoma, Centrómero, Homólogo, ADN, Recombinação, Meiose, Gâmetas)
A cromatina é formada pelo complexo específico entre ADN e diversas proteínas auxiliares que constitui os cromossomas. A maioria dessas proteínas, nomeadamente as histonas, permitem compactar o ADN de forma a que fique contido no interior do núcleo da célula.
(Ver também: ADN, Cromossoma, Proteína, Histona, Núcleo, Célula)
O ADN “enrola-se” à volta das histonas formando estruturas, semelhantes a pérolas num colar, denominadas nucleossomas. Estas estruturas compactam-se ainda mais, formando um material fibroso designado cromatina. As fibras de cromatina podem “desenrolar-se” para que haja produção de novas moléculas de ADN (replicação) ou para a produção de ARN mensageiro (transcrição). Durante a divisão celular, as fibras voltam a compactar-se, formando os cromossomas e cromatídeos. Este processo permite que ocorra uma distribuição de ADN equivalente entre as células-filhas. Existem dois tipos principais de cromatina: eucromatina (contém genes ativos) e heterocromatina (não contém genes ou contém genes inativos). Alterações que afetem a eucromatina podem ter consequências no fenótipo do indivíduo. Alterações que afetam a heterocromatina são menos passíveis de causar anomalias no fenótipo.
(Ver também: Nucleossoma, Replicação, ARN, Transcrição, Divisão celular, Cromossoma, Cromatídeo, Célula, Fenótipo)
Os cromossomas são estruturas semelhantes a fibras, visíveis em microscópio e constituídas por proteínas e uma molécula de ADN altamente “enrolada” e compactada. Estas estruturas asseguram que a informação genética é transmitida de uma célula para as células- filhas, durante a divisão celular.
(Ver também: ADN, Célula, Células-filhas, Divisão celular)
(Saiba mais neste vídeo: https://youtu.be/jZ0itxI4I1E?si=NsN8bJ8UZMyPO3JY)
Nos humanos, a maioria das células tem 46 cromossomas contidos no seu núcleo. Esses cromossomas estão divididos em 22 pares (os autossomas), numerados de 1 a 22, e um par XX ou XY (os cromossomas sexuais). Para cada par, herdamos um cromossoma da mãe e outro do pai, ou seja, metade de todos os nossos cromossomas é transmitida pela mãe e a outra metade pelo pai. O estudo do conjunto dos cromossomas de uma pessoa (o seu cariótipo) pode fornecer informação importante para o diagnóstico e acompanhamento de doenças genéticas, causadas por anomalias do número ou da estrutura dos cromossomas.
(Ver também: Autossoma, Cromossoma sexual, Cariótipo)
Cromossomas X e Y (no ser humano). Ambos contêm genes muito importantes no desenvolvimento, determinação e diferenciação sexual humanos.
(Ver também: Cromossoma X, Cromossoma Y, Gene)
Cada pessoa tem, pelo menos, um cromossoma X – em geral, as do sexo feminino têm dois X (XX), as do sexo masculino têm um X e um Y (XY). A mãe (XX) transmite um dos cromossomas X aos seus filhos (XY) e filhas (XX). O pai (XY) transmite o cromossoma X às suas filhas (XX) e o cromossoma Y aos seus filhos (XY). As pessoas XX têm duas cópias dos genes localizados no cromossoma X. O tipo de transmissão desses genes designa-se transmissão ligada ao X . Nas pessoas XY, apenas existe uma cópia dos genes localizados no cromossoma X e uma cópia dos genes localizados no cromossoma Y. O tipo de transmissão desses genes designa-se transmissão ligada ao Y. Se houver uma alteração (variante) num dado gene, as pessoas XY irão sempre manifestar essa doença (ou característica). No caso das pessoas XX, tudo depende de ser necessária apenas uma cópia (transmissão ligada ao X dominante), ou duas (transmissão ligada ao X recessiva), para o alelo se manifestar. Isso implica que algumas características (ou doenças) de transmissão ligada ao X podem ser mais comuns em pessoas XY do que em pessoas XX. Uma pessoa pode ter apenas um cromossoma sexual, desde que seja um X. Não é possível ter apenas um Y, uma vez que o X contém genes essenciais à vida e fundamentais para o desenvolvimento.
(Ver também: Cromossoma, Gene, Variante, Alelo)
Um dos cromossomas sexuais humanos (o outro é o cromossoma Y).
(Ver também: Cromossoma sexual, Cromossoma Y)
Cada pessoa tem, pelo menos, um cromossoma X – as do sexo feminino têm dois X (XX) e as do sexo masculino têm um X e um Y (XY). A mãe (XX) transmite um dos cromossomas X aos seus filhos (XY) e filhas (XX). O pai (XY) transmite o cromossoma X às suas filhas (XX) e o cromossoma Y aos seus filhos (XY). As pessoas XX têm duas cópias dos genes localizados no cromossoma X. Nas pessoas XY, apenas existe uma cópia desses genes.
O tipo de transmissão dos genes localizados no cromossoma X denomina-se transmissão ligada ao X. No entanto, nas células das pessoas XX, apenas um dos cromossomas X está ativo em cada célula sendo, normalmente, aleatório qual dos X é que está ativo e qual está inativo nas diferentes células . Se um dos X tiver uma alteração (variante) causadora de doença e estiver ativo ou a distribuição de células com o X ativo ou inativo não tiver um padrão aleatório, as pessoas XX podem vir a manifestar essa doença.
No caso das pessoas XY, tanto o X como o Y estão ativos em todas as células e, consequentemente, qualquer alteração causadora de doença que ocorra nesses cromossomas será sempre expressa.
(Ver também: Cromossoma, Gene, Célula, Variante)
Um dos cromossomas sexuais humanos (o outro é cromossoma X).
(Ver também: Cromossoma sexual, Cromossoma X)
O cromossoma Y pode apenas ser transmitido pelo pai e apenas aos seus filhos (XY). O tipo de transmissão dos genes localizados no cromossoma Y designa-se por transmissão ligada ao Y. Embora este cromossoma tenha muito poucos genes, alguns deles são cruciais para o desenvolvimento, determinação e diferenciação sexual masculinas (ex.: o gene SRY).
Nas pessoas XY, tanto o X como o Y estão ativos em todas as células.
(Ver também: Gene, Cromossoma, Célula)
Doença causada por uma ou mais alterações no número ou estrutura dos cromossomas. Muitas destas doenças são designadas síndromes.
(Ver também: Cromossoma)
As alterações no número ou estrutura dos cromossomas envolvem, em geral, regiões grandes do genoma. Dado que estas regiões incluem normalmente vários genes, qualquer alteração cromossómica pode resultar em cópias a mais ou a menos desses genes. As consequências dessas alterações dependem do tipo de alteração, do cromossoma e das regiões envolvidas. Ex.: um cromossoma 21 extra (trissomia) dá origem à síndrome de Down; a perda (deleção) de uma parte do cromossoma 22 dá origem à síndrome de DiGeorge; e a presença de apenas um cromossoma X (monossomia X), por perda do outro cromossoma sexual, dá origem à síndrome de Turner.
(Ver também: Cromossoma, Genoma, Gene, Trissomia, Deleção, Monossomia, Cromossoma sexual)
Alteração (variante) genética que ocorre num indivíduo pela primeira vez. Ou seja, a variante é nova, não tendo sido herdada da mãe ou do pai.
(Ver também: Variante, Herdado)
Cada indivíduo tem um grande número de alterações (variantes) no seu genoma. Essas variantes podem ser novas, ou herdadas da mãe ou do pai. As novas são denominadas variantes de novo, e podem surgir por acaso, por problemas no sistema de reparação do ADN, ou por aumento da taxa de mutação devido ao efeito de agentes externos (ex.: radiação ou agentes químicos).
Estas variantes novas podem ter efeitos prejudiciais na saúde do indivíduo. Caso ocorram numa célula somática (do corpo) podem, nuns casos, não ter consequências ou, noutros, contribuir para o desenvolvimento de tumores. Quando ocorrem num gâmeta (célula reprodutiva), podem resultar numa doença detetável à nascença (congénita).
(Ver também: Variante, Genoma, Herdado, ADN, Gâmeta, Congénito)
Tipo de alteração no genoma que envolve a perda de regiões do ADN. Pode afetar desde secções muito pequenas (de apenas um ou alguns nucleótidos), a muito grandes (envolvendo vários genes).
(Ver também: Genoma, ADN, Nucleótido, Gene)
As deleções no genoma podem ter tamanhos muito variados e provocar efeitos muito diferentes. No entanto, o tamanho da deleção que pode afetar uma parte de um gene, um gene inteiro ou vários genes, nem sempre corresponde à gravidade das consequências no fenótipo. Uma deleção de um único nucleótido pode alterar completamente a leitura de um gene, e levar à produção de uma proteína com uma sequência de aminoácidos completamente diferente. Ou, em alternativa, criar um codão stop que leve à produção de uma proteína mais curta. Ambas as situações afetam a função das proteínas e podem ter consequências graves para a saúde.
Uma deleção que envolva uma região de ADN grande, mas que não contenha genes (não-codificante) poderá ter, ou não, consequências no fenótipo. Alguma dessas regiões são importantes para a regulação dos genes e, se forem afetadas, podem ter efeitos no fenótipo.
(Ver também: Fenótipo, Nucleótido, Proteína, Aminoácido, Codão stop)
Alteração na estrutura de um ou mais cromossomas que leva à perda e/ou ganho de material genético. Estas alterações resultam, muitas vezes, em doença cromossómica.
(Ver também: Cromossoma)
Os rearranjos na estrutura dos cromossomas podem ser equilibrados (sem perda nem ganho de material genético) ou desequilibrados (com perda e/ou ganho de material genético. Durante a meiose, a segregação dos cromossomas pode originar gâmetas com perda ou ganho de material genético, particularmente em indivíduos portadores de rearranjos cromossómicos estruturais. Dependendo da quantidade e do tipo de material envolvido, poderá haver consequências para a produção de proteínas o que, por sua vez, pode resultar em alterações no fenótipo.
Rearranjos maiores podem ser detetados através de cariótipo. Rearranjos menores podem ser detetados através de microarray ou sequenciação.
(Ver também: Rearranjo, Meiose, Gâmeta, Proteína, Fenótipo, Cariótipo, Microarray, Sequenciação de ADN)
ver PGT (Teste genético pré-implantatório)
Teste(s) genético(s), efetuado(s) após o nascimento, que permite(m) identificar alterações genéticas.
O diagnóstico pós-natal é efetuado em material genético obtido, através de colheita de células de uma pessoa (ex.: por colheita de sangue, pele, saliva, medula óssea, tumor, etc.). Esse tipo de testes permite identificar, confirmar ou excluir a presença de uma ou mais alterações no ADN de uma pessoa, que tenha um risco aumentado de ter uma ou mais alterações genéticas.
Devem ser requisitados por um médico especialista, que explicará quais os testes disponíveis, as vantagens, desvantagens e riscos de cada um, de modo a que a pessoa possa tomar decisões informadas (adaptadas às suas circunstâncias). Após o teste, o médico explicará, ainda, as implicações que os resultados poderão ter, tanto para a pessoa como para a sua família. Exs.: Cariótipo e microarray (para identificar anomalias cromossómicas), exoma clínico (alterações em um ou mais genes específicos).
(Ver também: Célula, ADN, Cariótipo, Microarray, Anomalia Cromossómica, Gene)
Teste(s) genético(s), efetuado(s) durante a gravidez, que permite(m) identificar alterações genéticas no feto.
Os testes pré-natais genéticos podem ser invasivo (efetuado em biópsia de vilosidades coriónicas ou amniocentese) ou não-invasivo (efetuado no sangue materno)
Esse tipo de testes permite identificar, confirmar ou excluir a presença de uma ou mais alterações no ADN do feto, em gestações com risco aumentado identificado para uma ou mais alterações genéticas.
Devem ser requisitados por um médico especialista, que explicará quais os testes disponíveis, as vantagens, desvantagens e riscos de cada um, de modo a que o casal/grávida possa tomar decisões informadas. Após o teste, o médico explicará, ainda, as implicações que os resultados poderão ter tanto para a gravidez em curso, como para gestações futuras e para a família alargada. Os testes são adaptados ao tipo de alteração que se pretende identificar, confirmar ou excluir. Exs.: cariótipo e microarray (para identificar anomalias cromossómicas), sequenciação de ADN (alterações em genes específicos).
(Ver também: Biópsia de vilosidades coriónicas, Amniocentese, ADN, Cariótipo, Microarray, Sequenciação de ADN)
Quando uma doença (ou característica) só se manifesta se estiverem presentes alterações (variantes patogénicas) em dois genes diferentes. Isto significa que se existir apenas uma alteração apenas num dos genes, isso não é suficiente para que a doença (ou característica) se manifeste.
(Ver também: Variante patogénica, Gene)
No caso de transmissão digénica, os dois genes envolvidos contêm informação para proteínas com funções semelhantes ou que fazem parte do mesmo processo celular. Quando variantes patogénicas estão presentes em ambos os genes, a função das células pode ficar comprometida, levando à manifestação da doença.
(Ver também: Célula)
Célula (ou indivíduo) com dois conjuntos completos de cromossomas, herdados um da mãe e outro do pai. No ser humano, o total é de 46 cromossomas, ou seja, dois conjuntos de 23 cromossomas. Vinte e dois desses pares (44) são autossomas (1 a 22) e o último par é constituído pelos cromossomas sexuais (XX ou XY).
(Ver também: Célula, Cromossoma, Herdado, Autossoma, Cromossoma sexual)
Cada célula diplóide, tem duas cópias de cada cromossoma. Consequentemente, tem duas cópias de cada gene. A maioria das células do corpo humano é diplóide, exceto os gâmetas (óvulos e espermatozóides). Nos gâmetas não existem pares de cromossomas mas, sim, apenas um de cada – estas células denominadas haplóides. A combinação de genes, uns herdados da mãe e outros do pai, significa que o indivíduo é geneticamente diferente dos seus progenitores e assegura a diversidade biológica dos seres humanos.
Por vezes, as células podem ter cromossomas a mais ou a menos, o que pode provocar algumas doenças genéticas.
Processo, com várias fases, através do qual são produzidas duas células-filhas, a partir de uma única célula original.
(Ver também: Célula)
Para que haja crescimento (e, também, reparação) de um tecido, é necessário que as células se dividam. Este processo tem várias fases e é fortemente regulado. Em alguns tipos de tecidos, as células dividem-se regularmente, enquanto noutros as células raramente se dividem quando o tecido está completamente formado, a não ser que haja algum dano.
Um dos mecanismos mais frequentes em cancro é a divisão celular descontrolada.
(Ver também: Célula)
ver Gravidez gemelar dizigótica
Doença que resulta do efeito combinado de múltiplas variantes e genes com a influência de fatores ambientais (físicos, sociais, etc). Dado que a doença surge devido à interação desses múltiplos fatores, este tipo de doença pode ser, também, denominado doença multifactorial.
(Ver também: Variante, Gene, Fatores ambientais)
Estas doenças contrastam com as que resultam apenas de uma alteração num gene (doenças monogénicas).
Alguns exemplos de doenças multifactoriais incluem as doenças cardiovasculares, a diabetes e vários tipos de cancro.
(Ver também: Monogénica, Cancro)
Uma doença é classificada como rara quando afeta menos do que 1 em cada 2000 pessoas.
Saiba mais neste vídeo: Doenças raras? Pessoas únicas? Saúde global! | Ep. Especial
Existem mais de 6000 doenças raras conhecidas e cerca de 80% têm uma causa genética. Ou seja, apesar de cada uma ser rara individualmente, coletivamente mais de 6% da população mundial (300 milhões de pessoas) tem uma doença rara. Este número equivale à população de um dos países mais populosos do mundo. Um indivíduo com doença rara é frequentemente, sujeito a um grande número de testes, antes de a sua doença ser identificada, um percurso vulgarmente designado “odisseia de diagnóstico”. Muitas vezes, mesmo após vários testes, não se consegue obter um diagnóstico. Por outro lado, ainda que se consiga identificar a causa genética da doença, nem sempre existe um tratamento estabelecido para a mesma. Os testes genómicos têm possibilitado que mais pessoas sejam diagnosticadas, o que facilita o acompanhamento e, nos casos em que existe, o tratamento dos doentes. Por isso, quanto maior for o conhecimento do genoma humano, maior será a probabilidade de se identificar a causa da doença para cada indivíduo e de se desenvolverem tratamentos específicos.
Termo usado para descrever a estrutura física que dá a forma à molécula de ADN.
(Ver também: ADN)
Uma molécula de ADN é constituída por duas cadeias de nucleótidos de adenina (A), citosina (C), guanina (G) e timina (T). As bases de uma cadeia “emparelham” exatamente com as da outra cadeia (A-T, C-G), ou seja, as cadeias são complementares, como uma chave e a sua fechadura. Essa estrutura protege fisicamente o ADN e facilita a sua reparação. Cada cadeia serve de molde para a produção de novas cadeias, num processo chamado replicação. Se houver alterações na sequência do ADN elas podem ter consequências importantes na saúde da pessoa.
(Ver também: Nucleótido, Adenina, Citosina, Guanina, Timina, Replicação)
Tipo de alteração no ADN que envove a produção de uma ou mais cópias extra de regiões do ADN. Podem envolver desde secções muito pequenas (de apenas um ou alguns nucleótidos) a muito grandes (envolvendo vários genes).
(Ver também: ADN, Nucleótido, Gene)
As duplicações de regiões do genoma podem ter tamanhos muito variados e provocar efeitos muito diferentes. No entanto, o tamanho da duplicação nem sempre corresponde à gravidade das consequências para a saúde. Uma duplicação pequena pode alterar a leitura de um gene e levar à produção de uma proteína com uma sequência de aminoácidos completamente diferente, enquanto outra pode não ter efeitos visíveis no fenótipo.
Algumas duplicações grandes podem envolver vários genes, ou regiões cromossómicas grandes. Nesse caso, pode ocorrer produção aumentada das proteínas correspondentes e a possibilidade de efeitos graves na saúde da pessoa.
(Ver também: Genoma, Gene, Aminoácidos, Fenótipo, Cromossoma, Proteínas)
Processo em que se altera intencionalmente a sequência de ADN de uma célula viva.
Podem encontrar-se alterações (variantes) genéticas em qualquer local do genoma. O efeito que cada uma pode ter no respetivo indivíduo pode ser prejudicial, benigno, ou inexistente. A edição génica tem potencial terapêutico, mas muitas aplicações encontram-se ainda em investigação e levantam questões éticas, particularmente quando envolvem a linha germinal.
Embora os vários tipos de tecnologia de edição (ex: CRISPR) estejam atualmente disponíveis para fins de investigação, no futuro poderão ser usados para tratar e curar muitas doenças genéticas através da “reparação” da(s) variante(s) causadora(s) de doença.
Tipo de proteína que desencadeia e/ou acelera (catalisa) reações químicas.
(Ver também: Proteína)
As enzimas são ferramentas fundamentais para o funcionamento das células. Tal como as outras proteínas, são codificadas pelos genes no ADN. Assim, uma alteração na sequência de um gene pode afetar a forma e/ou função da respetiva enzima, e causar doenças do metabolismo, com consequências mais ou menos graves para a saúde do indivíduo.
Ex.: A doença de Tay-Sachs é causada por variantes no gene HEXA. Este gene codifica para uma enzima importante num processo que evita a acumulação de ácidos gordos no cérebro. Esta é uma doença genética rara e hereditária (transmitida em famílias, de geração em geração).
(Ver também: Célula, Proteína, Gene, ADN, Doença rara, Hereditário)
Modificações reversíveis da cromatina que podem afetar o ADN ou as proteínas reguladoras (como, por exemplo, as histonas), mas que não envolvem mudanças na sequência de pares de bases no ADN. Certas modificações no ADN ou nas proteínas podem afetar a forma como, onde e quando um gene é ativado. Ao estudo desses elementos e suas modificações dá-se o nome de epigenética.
(Ver também: Cromatina, ADN, Proteína, Genes)
Apesar de não modificarem a sequência do ADN, as modificações epigenéticas podem alterar a expressão dos genes (expressão génica) e afetar as características (fenótipo) de um indivíduo. Estas modificações podem ser herdadas dos progenitores ou adquiridas ao longo da vida. Uma diferença importante entre as alterações na sequência do ADN (genéticas) e as alterações epigenéticas é que estas últimas são reversíveis.
Apesar de a informação no ADN ser fundamental para o crescimento e funcionamento do corpo humano, nem todos os genes estão ativos ao mesmo tempo, nem em todos os tecidos. As modificações epigenéticas podem”ligar” (ativar) ou “desligar” (inativar) genes. Tal pode ser feito bloqueando ou permitindo que a sequência de ADN seja “lida” para produzir ARN mensageiro (transcrição). Esse tipo de modificações pode estar associado à doença se levar a que algumas proteínas sejam produzidas na altura errada, ou não sejam produzidas quando e onde for necessário.
A ação dos fatores ambientais sobre o resultado da expressão génica ocorre frequentemente através de mecanismos epigenéticos.
(Ver também: ADN, Expressão génica, Fenótipo, Gene, ARN mensageiro, Transcrição, Fatores ambientais)
Área científica que estuda todas as modificações reversíveis da cromatina que podem afetar o ADN ou proteínas que o regulam (como, por exemplo, as histonas), mas que não envolvem mudanças na sequência de ADN propriamente dita. Ou seja, estuda o epigenoma, de um tecido, indivíduo ou população. Esse estudo inclui a identificação e caracterização de todas essas modificações, de que forma afetam a sua função e como interagem entre si. Termo também utilizado para incluir as técnicas de laboratório e de bioinformática usadas para este tipo de estudos.
(Ver também: Cromatina, ADN, Histona, Epigenoma, Bioinformática)
Pode ser aplicada a várias áreas de cuidados de saúde, incluindo doenças raras, cancro, farmacologia e doenças infecciosas.
(Ver também: Doenças Raras, Cancro, Farmacogenómica)
Alteração (nos cromossomas) que não envolve desequilíbrios (perdas ou ganhos) da quantidade total de material genético.
(Ver também: Cromossoma)
Este tipo de alterações (rearranjos) envolve, normalmente, mudanças na estrutura de uma ou mais regiões do ADN, sem que se perca ou ganhe material genético. Incluem-se trocas de posição entre regiões diferentes do ADN (translocações), rotações de segmentos de ADN (inversões) e mudanças de posição de secções de ADN para um local diferente do original (inserções). Estas alterações são causadas, muitas vezes, por recombinação entre regiões do ADN e podem, ou não, ser herdadas.
Dado que não envolvem desequilíbrios na quantidade de material genético presente, podem não causar alterações no fenótipo. No entanto, algumas poderão ter impacto no fenótipo, em dois tipos de situação. Por um lado, se houver mudança de posição dos segmentos de ADN, essa mudança pode “cortar” um gene e afetar a forma como o mesmo funciona. Por outro lado, pode separar o gene das sequências que o regulam (promovendo ou inibindo a sua expressão).
(Ver também: ADN, Cromossoma, Translocação, Inversão, Inserção, Recombinação, Fenótipo, Gene)
Secções, existentes nos genes, que contêm sequências com informação para produzir proteínas. Estas regiões são incluídas na molécula de ARN mensageiro que transporta a informação do núcleo para o citoplasma (meio líquido no interior da célula). São, também denominadas regiões codificantes.
(Ver também: Gene, Proteína, ARN mensageiro, Núcleo, Citoplasma, Célula, Cofdificante)
Um exão contém a informação que corresponde à parte da sequência de aminoácidos que vai constituir a proteína final que o gene codifica. Entre cada exão do gene, existem outras sequências – os intrões – que são removidos no processo que leva à produção do ARN mensageiro e antes da produção (síntese) de proteínas. Alterações nas sequências dos exões podem resultar em alterações na sequência de aminoácidos e, consequentemente, da proteína. Dependendo da sua estrutura e função no corpo, uma proteína alterada pode ter efeitos prejudiciais no fenótipo.
(Ver também: Aminoácido, Proteína, Gene, Intrão, Fenótipo)
Sequência de todos os exões existentes no genoma. No ser humano, o exoma corresponde a cerca de 2% do genoma e constitui a porção do genoma (cerca de 20 000 genes) que tem informação para produzir proteínas.
(Ver também: Exão, Genoma, Gene)
Num gene, os exões são as secções que contêm a informação genética para produzir proteínas e o exoma o conjunto dessas secções. Embora seja a parte mais conhecida do genoma, existe ainda alguma informação desconhecida. Uma das técnicas que permite o seu estudo é a sequenciação completa do exoma (whole exome sequencing ou WES).
Sequência dos exões, existentes no genoma humano, que têm uma associação clínica conhecida com determinadas doenças. O exoma clínico contém aproximadamente 5000 genes já associados a doença.
(Ver também: Exão, Genoma, Gene)
Os exões são as secções de um gene que contêm a informação para a célula produzir proteínas. O exoma é o conjunto dessas secções. Na sequenciação do exoma clínico, apenas são analisados exões de genes já associados a doença. Se forem identificadas uma ou mais variantes nessas secções, será mais fácil perceber se as mesmas serão ou não a causa da doença que está a ser estudada, do que se a variante for encontrada numa região do genoma cujo papel na doença é, ainda, desconhecido. A principal vantagem de conhecer a associação entre variante(s) e doença é que possibilita desenvolver um tratamento para o doente.
(Ver também: Exão, Gene, Célula, Proteína, Sequenciação, Exoma, Variante, Genoma)
Processo através do qual a informação do gene é lida para poder ocorrer a síntese do produto do gene. A regulação deste processo pode levar a que um gene seja “ligado” (ativação) ou “desligado” (inativação) ou, ainda, à regulação da quantidade, momento e local de produto sintetizado a partir desse gene.
(Ver também: Gene)
Os genes devem ser expressos na quantidade, local e altura certos para que a célula funcione corretamente. Este processo é fortemente regulado, pois pode haver consequências graves se o gene for expresso na altura errada e/ou no tipo errado de células.
A expressão dos genes pode estar alterada em algumas doenças. Um exemplo são cancros que surgem quando os genes que regulam a multiplicação das células estão inativos.
Quando o resultado de um teste é normal ou não explica o fenótipo, apesar de o indivíduo ter a doença (ou característica) (ex.: um cariótipo normal quando, na realidade, o indivíduo tem trissomia 21).
(Ver também: Fenótipo)
Os resultados falsos-negativos (bem como os falsos-positivos) derivam de limitações nas etapas entre a prescrição de um teste genético e a elaboração do seu relatório.
Por um lado, um falso-negativo pode levar a uma falsa sensação de segurança, ao dar uma indicação de ausência de (ou de risco para) uma doença (ou característica).
Por outro, pode impedir que a causa (genética/genómica) de determinada doença (ou característica) seja identificada, o que pode limitar o tratamento e seguimento adequados e o aconselhamento genético da mesma.
Tendo em conta essas potenciais consequências, os laboratórios desenham e/ou adoptam estratégias para cada metodologia, de forma a minimizar as taxas de falsos-negativos (e de falsos-positivos).
(Ver também: Trissomia, Genética, Genómica, Aconselhamento genético, Falso-positivo)
Quando o resultado de um teste é anormal ou associado a doença (ou característica), apesar de o indivíduo não ter a doença (ou característica). Ex.: um cariótipo com trissomia 13 quando, na realidade, o indivíduo não tem trissomia 13.
Os resultados falsos-positivos (bem como os falsos-negativos) derivam de limitações nas etapas entre a prescrição de um teste genético e a elaboração do seu relatório. Um falso-positivo pode criar grande ansiedade, ao dar uma indicação de risco elevado para uma doença (ou característica). Além disso, essa indicação de risco pode levar a um conjunto de decisões de acompanhamento e tratamento desnecessárias e/ou prejudiciais.
Tendo em conta essas potenciais consequências, os laboratórios desenham e adoptam estratégias para cada metodologia, de forma a minimizar as taxas de falsos-positivos (e as de falsos-negativos).
(Ver também: Trissomia, Cromossoma, Genética)
Familiares que partilham cerca de metade do seu ADN (informação genética), como os progenitores, irmãos e descendentes do indivíduo em estudo.
(Ver também: ADN)
Os indivíduos aparentados partilham ADN, uma vez que este é transmitido de geração em geração através da fecundação. A percentagem de ADN que dois familiares partilham varia como grau de parentesco.
Os familiares em 1º grau são os que partilham a maior proporção de ADN. No caso dos gémeos monozigóticos, essa proporção é, em geral, de cerca de 100%. A mesma desce para 50% no caso de progenitores e descendentes. Os irmãos também partilham cerca de 50% do ADN, apesar de a metade do genoma que herdam de cada progenitor poder ser ligeramente diferente, devido à recombinação que ocorre antes da fecundação.
Numa história familiar (clínica), numa consulta de genética, a informação (genética e clínica) sobre os familiares em 1º grau é a primeira a ser avaliada, pois é com estes que a pessoa em estudo partilha a maior quantidade de material genético.
(Ver também: Fecundação, Gravidez gemelar monozigótica, Genoma, Recombinação, História familiar)
Familiares que partilham cerca de 25% do seu ADN como, por exemplo, avós e netos, meios-irmãos, tios e sobrinhos.
(Ver também: ADN)
Os indivíduos aparentados partilham ADN, uma vez que este é transmitido de geração em geração através da fecundação. A percentagem de ADN que dois familiares partilham varia com o grau de parentesco.
Comparativamente com os familiares em 1º grau, os familiares em 2º grau partilham uma menor proporção de ADN. Devido a recombinação que ocorre antes da fecundação, essa proporção não ultrapassa, em geral, os 25%.
(Ver também: Familiares em 1º grau, Fecundação, Recombinação)
Familiares que partilham cerca de 12,5% do seu ADN como, por exemplo, primos em 1º grau.
(Ver também: ADN)
Os indivíduos aparentados partilham ADN, uma vez que este é transmitido de geração em geração através da fecundação. A percentagem de ADN que dois familiares partilham varia com o grau de parentesco.
Comparativamente com os familiares em 1º grau e em 2º grau, os familiares em 3º grau partilham uma menor proporção de ADN. Devido à recombinação que ocorre antes da fecundação, essa proporção não ultrapassa, em geral, os 12,5%.
(Ver também: Familiares em 1º grau, Familiares em 2º grau, Fecundação, Recombinação).
Área da Medicina Genómica e da Genética em que a informação genética/genómica de uma pessoa é utilizada para personalizar o seu tratamento com fármacos. O principal objetivo é aplicar uma abordagem mais individualizada (ou precisa) na utilização de medicamentos.
(Ver também: Medicina Genómica, Genética, Genómica)
Na farmacogenómica, avaliam-se diferenças genéticas que possam indicar se determinado medicamento é potencialmente tóxico, eficaz ou não tem efeito num indivíduo específico. Para isso, combina-se o conhecimento de como um medicamento funciona (farmacologia) e da genómica (estudo do genoma e das suas funções). Inicialmente, é necessário saber como é que o medicamento é distribuído, metabolizado e eliminado pelo corpo (farmacodinâmica). Além disso, determinadas substâncias têm de ser processadas num dado órgão, antes de se tornarem ativas. Este processo pode ser muito influenciado pela constituição genética da pessoa.
Posteriormente, é importante perceber qual o efeito que esse medicamento tem no seu alvo no corpo, o que determina a sua eficácia. Por outro lado, a farmacodinâmica também avalia os efeitos noutros locais do corpo, que não o alvo original, que são um fator determinante para os efeitos secundários.
O conjunto dessa informação pode ser útil para o médico selecionar a dose e o tempo de tratamento mais adequados para cada indivíduo, de forma a otimizar a sua eficácia e minimizar eventuais efeitos secundários.
Em Genética Humana, o ambiente refere-se às condições em que um indivíduo vive, incluindo, por exemplo, a exposição a substâncias nocivas nos locais onde vivemos ou trabalhamos, os comportamentos e estilo de vida que possam aumentar o risco de doença e situações de stress físico, emocional ou social.
(Ver também: Genética)
Saiba mais neste vídeo: A pegada humana afeta o ADN? | Ep. Especial
Os estudos genéticos têm em conta, muitas vezes, os fatores ambientais, pois estes podem modificar (aumentar ou diminuir) o risco de um indivíduo vir a ter determinada doença. No entanto, esses fatores podem ser muito variados incluindo-se, entre eles: poluição do ar, carcinogénios nos alimentos, pesticidas, metais pesados mas, também, fatores sociais (ex.: stress, discriminação), estilo de vida, alimentação e outros. Os vários fatores podem causar, por si só ou em conjunto, danos no material genético mas, também, modificar a expressão génica através de mecanismos epigenéticos. Assim, muitas características (complexas) do nosso fenótipo resultam da interação entre os genes e o ambiente.
(Ver também: Carcinogénios, Expressão génica, Epigenética, Fenótipo, Gene)
Fusão de um óvulo (célula reprodutiva feminina) com um espermatozóide (célula reprodutiva masculina), que leva à formação de um zigoto. Este, por sua vez, poderá dar origem a um novo indivíduo.
(Ver também: Célula, Óvulo, Espermatozóide, Zigoto)
No ser humano, existem dois tipos de células reprodutivas (gâmetas) através das quais o material genético (ADN) é transmitido à descendência. Os óvulos (gâmetas femininos), produzidos pela mãe, e os espermatozóides (gâmetas masculinos), produzidos pelo pai. Cada uma dessas células tem metade do ADN que será herdado por cada indivíduo. Da fecundação irá resultar uma célula com duas cópias de cada cromossoma (zigoto diplóide). Dado que durante a produção dos gâmetas pode haver recombinação do material genético que contêm, o zigoto, que resulta da fusão do gâmeta feminino com o gâmeta masculino, poderá dar origem a um indivíduo com uma combinação de ADN única.
(Ver também: Gâmeta, ADN, Herdado, Cromossoma, Zigoto, Diplóide, Recombinação)
Quando indivíduos têm o mesmo fenótipo (doença ou característica), mas este resulta de causas diferentes.
(Ver também: Fenótipo)
Existem vários fatores que podem contribuir para o fenótipo de uma pessoa. Estes incluem fatores genéticos/genómicos e ambientais. Isso significa que a mesma doença, em dois indivíduos pode ter causa(s) diferente(s). Por exemplo, uma mulher pode ter cancro da mama, apesar de não ter herdado a variante no gene BRCA1detetada noutros membros da família. Nesse caso, a senhora sem a variante no gene BRCA1 terá uma fenocópia do cancro da mama familiar previamente identificado.
(Ver também: Genómica, Fatores ambientais, Variante, BRCA1, Cancro)
Conjunto de características (físicas ou bioquímicas) de um indivíduo, que são diretamente influenciadas pela constituição genética (genótipo) e potencialmente modificadas pelo ambiente (fatores ambientais). Em caso de doença, essas características podem referir-se aos primeiros sinais e sintomas da mesma.
(Ver também: Genótipo, Fatores ambientais)
Um fenótipo inclui todas as características observáveis num indivíduo, tanto as relacionadas como as não relacionadas com doença. Assim, um fenótipo pode ser estudado, para avaliar a possibilidade de o indivíduo ter uma determinada doença genética. A informação fenotípica é, por isso, importante para os cuidados de saúde do indivíduo e, muitas vezes, da sua família.
Ex.: Problemas cardíacos identificados numa criança podem ser uma indicação da presença de uma síndrome genética. De acordo com o tipo de problema cardíaco, é importante efetuar testes genéticos específicos, para avaliar a presença de alterações nos cromossomas ou variantes em genes que se sabe estarem envolvidos nessas síndromes.
(Ver também: Síndrome, Cromossoma, Variante, Gene)
Processo pelo qual a fecundação é realizada em laboratório. Para tal, são recolhidos previamente óvulos (células reprodutivas femininas) e espermatozóides (células reprodutivas masculinas). Os embriões formados pela fusão de óvulo com espermatozóides são analisados, sendo escolhidos 2-3 para serem transferidos para o útero, para que cresça(m) e se desenvolva(m) ao longo da gravidez.
(Ver também: Célula, Óvulo, Espermatozóide)
A FIV é uma técnica de reprodução medicamente assistida que pode ser usada por casais que tenham problemas de fertilidade. Em casais portadores de doenças genéticas, os embriões produzidos podem ser testados geneticamente. Para tal, é possível recolher algumas células de cada embrião e pesquisar se têm variantes genéticas conhecidas que possam causar doença(s) genética(s). Isso permite que apenas sejam transferidos, para o útero, os embriões que não tenham essa(s) variante(s). Este método é denominado Diagnóstico Genético Pré-Implantatório. Permite não só identificar os embriões com maior probabilidade de sobreviver até ao final da gravidez, mas também prevenir que o casal venha a ter uma criança com uma doença genética grave.
(Ver também: Variante)
Técnica utilizada para detetar e localizar uma sequência de ADN específica num cromossoma.
(Ver também: ADN, Cromossoma)
Nesta técnica, usam-se pequenas sequências de ADN (chamadas sondas) modificadas para emitirem luz fluorescente. Essas sondas são complementares de sequências específicas no ADN e, por isso, ligam-se a elas como uma chave na sua correspondente fechadura. Este processo designa-se hibridação e pode ser usado numa amostra celular da pessoa que se está a estudar, para verificar se uma dada região de um cromossoma está presente ou não.
A amostra celular é analisada num microscópio que deteta a presença de luz fluorescente. Com esta técnica é possível detetar se há: perdas (deleções), ganhos (duplicações) ou mudanças de posição do material genético (ex.: translocações).
(Ver também: Sonda, Cromossoma, Deleção, Duplicação, Translocação)
Variante genética que altera a forma como uma sequência de ADN é “lida” durante o processo de produção de uma cadeia de aminoácidos (péptido). Envolve normalmente a adição (inserção) ou perda (deleção) de um número de bases (nucleótidos) que não seja múltiplo de 3.
(Ver também: Variante, ADN, Aminoácido, Inserção, Deleção, Nucleótido)
Quando está a produzir uma proteína, a célula “lê” o código genético em conjuntos de 3 bases (nucleótidos), ou seja, a cada tripleto no ADN corresponde um codão no ARN mensageiro e, por sua vez, um aminoácido a ser inserido na cadeia da proteína. Se for retirado ou adicionado um número de bases que não seja múltiplo de 3, a grelha de leitura, que determina os conjuntos de 3 a serem lidos, altera-se. Geralmente, a grelha alterada acaba por encontrar um codão stop prematuro ou resultar numa proteina com uma estrutura e/ou função alteradas, o que pode ter consequências graves no fenótipo do indivíduo.
(Ver também: Proteína, Célula, Nucleótido, ADN, Codão, ARN mensageiro, Aminoácido, Proteína, Codão stop, Fenótipo)
Célula especializada envolvida no processo de reprodução dos indivíduos, através da qual o material genético é transmitido dos progenitores para os seus descendentes. No ser humano, estas células reprodutivas denominam-se óvulo (gâmeta feminino) ou espermatozóide (gâmeta masculino).
(Ver também: Célula, Óvulo, Espermatozóide)
Estas células são formadas durante o processo especial de divisão celular denominado meiose. No ser humano, os gâmetas são haplóides, ou seja, possuem apenas uma cópia de cada cromossoma (e de cada gene). Quando ocorre a fecundação, há uma união entre um óvulo e um espermatozóide (haplóides) e forma-se um zigoto (diplóide). A partir desse zigoto, inicia-se o desenvolvimento embrionário, com vários processos de divisão e diferenciação celulares, que irão dar origem a um novo indivíduo.
Se houver alterações no material genético durante o processo de meiose (materna ou paterna), pode haver produção de gâmetas alterados. Durante a fecundação, estes levarão à formação de um zigoto com uma (ou mais) variante(s) genéticas(s).
(Ver também: Meiose, Haplóide, Cromossoma, Gene, Fecundação, Zigoto, Diplóide, Variante)
Sequência específica de ADN que tem as “instruções” para a célula produzir uma cópia de uma molécula específica de ARN, que será depois transformada em aminoácidos os quais, por sua vez, darão origem a uma cadeia polipeptídica (parte de uma proteína) ou a uma proteína específica.
(Ver também: ADN, Célula, ARN, Aminoácido, Proteína)
Os genes existem em duas cópias transmitidas pelos progenitores (metade pela mãe e metade pelo pai) e contêm a informação necessária para que o corpo tenha determinadas características físicas, químicas e biológicas (fenótipo). Uma doença genética ocorre quando há alterações (variantes) nos genes, que resultam na produção de proteínas alteradas ou, nos casos mais graves, na ausência da(s) proteína(s) que esse(s) gene(s) codifica(m).
A maioria das doenças genéticas resulta de variantes na região codificante dos genes, que comprometem a função da respetiva proteína. Por exemplo, cerca de 80% das doenças raras são causadas por alterações (variantes) que ocorrem nos genes.
(Ver também: Gene, Fenótipo, Variante, Codificante, Doença Rara)
Área científica que se dedica ao estudo dos genes e da sua transmissão, incluindo a interação entre genes, entre genes e ambiente, e a variação do ADN (no ser humano).
(Ver também: Gene, ADN, Fatores ambientais)
Saiba mais neste vídeo: GenAnimatEd: (More than) the sum of all genes | Ep. 2
A Genética dedica-se ao estudo dos genes e sua transmissão. Pode usar-se uma abordagem genética quando se conhece/suspeita que um determinado gene possa estar envolvido.
Embora os termos Genética e Genómica sejam, muitas vezes, usados para o mesmo fim, a Genómica dedica-se ao estudo de todo o ADN, incluindo os genes. Assim, uma abordagem genómica é mais indicada quando não se conhece a alteração (variante) responsável pelas alterações no fenótipo de um dado indivíduo.
Conjunto completo do material genético de um indivíduo (ou população), incluindo o material que contém informação para produzir proteínas (codificante; 2% do genoma) e o que não contém esse tipo de informação (não-codificante; 98% do genoma).
(Ver também: Codificante)
Saiba mais neste vídeo: GenAnimatEd: (More than) the sum of all genes | Ep. 2
O genoma humano contém cerca de 6 mil milhões de nucleótidos, distribuídos por 46 cromossomas e contém quase 20 000 genes diferentes, os quais codificam proteínas. A análise da sequência do genoma humano completo, ou de partes do mesmo, tem sido cada vez mais importante para a prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças genéticas (raras ou não) e cancro.
(Ver também: Nucleótido, Cromossoma, Gene, Proteína, Sequenciação de ADN, Doenças raras, Cancro)
Representação da sequência do genoma humano, aceite como padrão para comparação com outras sequências.
(Ver também: Genoma)
Essa referência é necessária para identificar variantes em determinados locais do genoma, que possam ser importantes para esclarecer funções de determinadas sequências no funcionamento do organismo e respetivas consequências para a saúde. O genoma de referência atualmente disponível nas bases de dados públicas resultou da sequenciação de 13 indivíduos com ancestralidade europeia, mas para ser fiável devem ser sequenciados genomas de pessoas de várias populações diferentes. Um genoma de referência não pode ser uma sequência de um único indivíduo ou de apenas uma população.
Área científica que estuda todo o ADN de uma pessoa (ou população), ou seja, o seu genoma. Este estudo inclui a identificação e caracterização de todos os genes e elementos que afetam a sua função, bem como a forma como eles interagem.
Termo também utilizado para incluir as técnicas de laboratório e de bioinformática, usadas para este tipo de estudos.
(Ver também: ADN, Genoma, Gene, Bioinformática)
A Genómica Humana pode ser aplicada a várias áreas de cuidados de saúde, incluindo doenças raras, cancro, farmacologia e doenças infecciosas. Existem técnicas genómicas já disponíveis nos laboratórios e aplicáveis de acordo com o que se pretende avaliar. Estas incluem: microarray, sequenciação do exoma completo (WES), sequenciação do exoma clínico e sequenciação completa do genoma (WGS).
(Ver também: Doenças raras, Cancro, Farmacogenómica, Microarray, Exoma completo, Exoma clínico, Sequenciação de ADN)
Sequência de ADN em determinado(s) gene(s) que determina, juntamente com fatores ambientais, características específicas (fenótipo) de um indivíduo.
(Ver também: ADN, Fatores ambientais, Fenótipo)
Embora o genoma de uma pessoa seja único, algumas regiões são comuns. Pessoas que tenham as mesmas variantes genéticas, terão a mesma sequência de ADN (genótipo) nesse(s) gene(s)/posição no cromossoma (locus). Esses genótipos podem ser transmitidos de geração em geração e contribuir para a ocorrência de algumas características/doenças em famílias (ex.: cancro da mama familiar).
(Ver também: Genoma, ADN, Variante, Gene, Cromossoma, Locus, Cancro)
Refere-se às células reprodutivas (gâmetas), femininas (óvulos) ou masculinas (espermatozóides), através das quais o material genético é transmitido de progenitores para os seus descendentes.
(Ver também: Célula, Gâmeta, Óvulo, Espermatozóide)
Os gâmetas são considerados células germinais (ou células da linha germinal). As restantes células do corpo designam-se por células somáticas (ou da linha somática). O ADN da linha germinal é aquele que é transmitido de geração em geração. As variações no ADN da linha germinal, transmitidas entre progenitores e descendentes, estão na base de algumas características herdadas dentro de uma mesma família como, por exemplo, susceptibilidade (predisposição) para certas doenças ou simplesmente para algumas características físicas.
(Ver também: Gâmetas, Célula, Somática, ADN, Herdado, Susceptibilidade)
Gravidez em que os gémeos resultam de dois zigotos diferentes, por fecundação de dois óvulos (gâmetas femininos) diferentes por dois espermatozóides (gâmetas masculinos) diferentes.
(Ver também: Zigoto, Fecundação, Óvulo, Gâmeta, Espermatozóide)
Gémeos dizigóticos (popularmente designados gémeos” falsos”) resultam da fecundação de duas células reprodutivas femininas (óvulos) diferentes por duas células reprodutivas masculinas (espermatozóides) diferentes, na mesma gravidez. Tal como outros irmãos não-gémeos, os gémeos dizigóticos partilham metade do genoma, podem ser ou não do mesmo sexo e ter ou não as mesmas características físicas. Diferem dos gémeos monozigóticos (também chamados gémeos “verdadeiros” ou “idênticos”) porque estes formam-se a partir da fecundação de um só óvulo por um só espermatozóide.
Isto significa que é possível que, apesar de serem gémeos, um gémeo numa gravidez dizigótica tenha variantes genéticas diferentes das do outro, tal como acontece entre os seus outros irmãos não-gémeos.
(Ver também: Célula reprodutiva, Genoma, Gravidez gemelar monozigótica, Variante)
Gravidez em que os gémeos resultam de um só zigoto, que inicialmente se divide em dois, dando origem a dois embriões.
(Ver também: Zigoto)
Gémeos monozigóticos (popularmente designados gémeos “verdadeiros” ou “idênticos”) resultam da fecundação de uma célula reprodutiva feminina (óvulo) por uma célula reprodutiva masculina (espermatozóide). Dessa fecundação resulta um zigoto que se divide inicialmente em dois, que se desenvolvem em dois embriões e, posteriormente, em dois fetos. Neste caso, os gémeos partilham (em geral) o mesmo genoma, são sempre do mesmo sexo e têm uma aparência física muito semelhante. Diferem dos gémeos dizigóticos (também chamados gémeos “falsos”) porque estes se formam a partir da fecundação de dois óvulos diferentes por dois espermatozóides diferentes.
Isto significa que, a menos que ocorra uma alteração genética após a divisão do zigoto inicial em dois, um gémeo numa gravidez monozigótica tem uma constituição genética idêntica à do outro.
(Ver também: Fecundação, Óvulo, Espermatozóide, Genoma, Gravidez gemelar dizigótica)
A guanina (G) é uma das quatro bases químicas do ADN e do ARN. As outras três são adenina (A), citosina (C) e timina (T) no ADN, esta última substituída por uracilo (U) no ARN. No ADN e no ARN, a guanina emparelha com a base citosina.
(Ver também: Base, ADN, ARN, Adenina, Citosina, Timina, Uracilo)
A cadeia dupla de ADN contém a informação genética de uma célula. Serve de molde para produzir novas cadeias de ADN e, também, para produzir a cadeia de ARN mensageiro que vai transportar essa informação e permitir que a célula produza proteínas. O emparelhamento das bases A-T e C-G é muito importante para que a informação seja transmitida corretamente. Se houver uma alteração numa das bases, a sequência será modificada e poderá resultar numa variante causadora de doença.
(Ver também: Célula, ARN mensageiro, Proteína, Variante)
O GWAS (do inglês genome-wide association studies) é um método baseado no estudo dos genomas de um conjunto de pessoas, de forma a identificar variantes que possam estar associadas (estatisticamente) a uma doença ou característica em particular.
(Ver também: Genoma, Variante)
Um GWAS envolve o estudo da informação genética presente em 500 mil a um milhão de locais (loci), ao longo do genoma de um grande número de pessoas com e sem a doença (ou característica) em causa.
O objetivo é identificar variantes mais frequentemente presentes em pessoas com determinada doença (ou característica). Para isso comparam-se os resultados de grupos de pessoas afetadas com os de pessoas não-afetadas. Se uma dada variante genética for mais comum em pessoas afetadas, isso sugere que essa variante está associada à doença (ou característica).
Identificar uma associação não significa que a variante seja a causa da doença, mas dá uma indicação de que a variante responsável pela doença está localizada nessa região do genoma. Por isso, estes estudos permitem, muitas vezes, encontrar uma ou mais variantes próximas que, elas sim, podem ser responsáveis pela doença (ou característica).
No entanto, é necessário realizar outros estudos para perceber qual o impacto da presença da variante na função da proteína que é produzida por esse gene, para perceber de que forma é que a doença surge. Entender esse mecanismo é também fundamental para criar tratamentos específicos e mais eficazes.
Projeto internacional, iniciado em 1990 e concluído em 2003, que permitiu determinar a sequência (quase) completa do genoma humano.
(Ver também: Genoma)
Este projeto cobriu cerca de 99% das regiões do genoma humano que contêm genes. Outras regiões como os centrómeros e os telómeros dos cromossomas, por serem mais difíceis de estudar com as técnicas disponíveis na altura, só foram concluídas em 2022, por outro projeto (T2T, Telomere to Telomere).
As sequências determinadas pelo projeto HUGO têm sido fundamentais para estabelecer a sequência de referência do genoma humano que consta das bases de dados disponíveis. Adicionalmente, têm permitido acelerar a investigação para compreender a estrutura e função do genoma humano, assim como as implicações para a saúde humana.
(Ver também: Gene, Centrómero, Telómero, Cromossoma, Genoma humano de referência)
Células que contêm apenas uma cópia de cada cromossoma. As únicas células humanas haplóides são os gâmetas (óvulos e espermatozóides).
(Ver também: Célula, Cromossoma, Gâmeta, Óvulo, Espermatozóide)
Durante a fecundação, há uma união entre um óvulo (da mãe) e um espermatozóide (do pai) e forma-se um zigoto. Este zigoto contém, assim, dois conjuntos de cromossomas (ou seja, é diplóide e com um total de 46 cromossomas), herdados um da mãe e outro do pai. A mãe e o pai têm duas cópias de cada cromossoma e uma dessas duas é escolhida ao acaso na formação dos gâmetas sendo, depois, depois transmitida à descendência. Isto significa que todos os descendentes terão combinações diferentes dos cromossomas dos progenitores, exceto os gémeos monozigóticos. Estes gémeos, também chamados gémeos “verdadeiros” são, na maioria, geneticamente idênticos entre si, ou seja, a combinação de cromossomas que herdam dos progenitores é idêntica.
(Ver também: Fecundação, Zigoto, Diplóide, Herdado, Gravidez gemelar monozigótica)
Grupo de alelos, variantes ou polimorfismos que são herdados em conjunto. Em geral, um haplótipo é uma combinação específica de variantes, localizadas perto umas das outras, num determinado cromossoma.
(Ver também: Alelo, Variante, Polimorfismo, Herdado, Cromossoma)
Um haplótipo pode ser herdado da mãe ou pai ou pode resultar de uma recombinação entre os haplótipos dos dois. Existem situações clínicas em que é importante identificar um dado haplótipo e não apenas uma variante isolada. Nesses casos, o impacto da presença de uma determinada variante depende da presença (ou ausência) de outras variantes.
(Ver também: Recombinação, Variante)
Em Genética Humana, refere-se à transmissão dos progenitores aos seus descendentes, através da reprodução, de uma forma de um gene (alelo) ou alteração do mesmo (variante), que determina uma característica (ou doença).
(Ver também: Genética, Gene, Alelo, Variante)
As doenças herdadas incluem tanto as classificadas como raras como as mais comuns. Nem todas as doenças genéticas são herdadas, pelo que a história familiar (clínica) é importante para perceber se uma doença é herdada ou não. Se for herdada, a história familiar permite avaliar se existem outros familiares em risco (ou seja, que tenham a mesma variante) de modo a possibilitar o rastreio, acompanhamento e tratamento dos mesmos, sempre que possível.
(Ver também: Doença rara, História familiar)
Presença de duas ou mais formas (alelos) diferentes do mesmo gene numa pessoa.
O ser humano tem duas cópias dos genes localizados nos autossomas, sendo que as do sexo feminino (XX) têm, também, duas cópias dos genes localizados nos cromossomas X. As do sexo masculino (XY) têm apenas uma cópia dos genes localizados no cromossoma X e uma dos genes localizados no cromossoma Y. As pessoas heterozigóticas para um determinado gene têm duas cópias (alelos) diferentes do mesmo. Estes indivíduos têm 50% (1 em 2) de probabilidade de transmitir cada um dos dois alelos à descendência.
(Ver também: Autossoma, Cromossoma X, Cromossoma Y, Heterozigótico)
ver FISH
Proteínas associadas ao ADN que permitem manter a estrutura de um cromossoma.
(Ver também: Proteína, ADN, Cromossoma)
Cada cromossoma é constituído por uma molécula longa de ADN, armazenada no núcleo da célula. O ADN “enrola-se” à volta de grupos (complexos) de histonas, dando uma forma mais compacta aos cromossomas, o que permite que todo o ADN fique contido no núcleo.
Estas proteínas são muito importantes para controlar quando (e onde) os genes estão ativos ou inativos (ou seja, quando se expressam ou não) e são, também, muito controladas. Funcionam como “caixas” onde os genes estão “guardados” e que controlam quando a caixa é “aberta” e os genes “saem” (ou seja, quando eles se expressam).
(Ver também: Núcleo, Célula, Proteína, Gene, Expressão génica)
A história familiar (clínica) é o registo das doenças e problemas de saúde que uma pessoa e a sua família biológica já tiveram. Esse registo deve incluir, sempre que possível, familiares vivos e, sempre que for relevante, os familiares já falecidos.
A história familiar permite avaliar se um indivíduo tem um risco aumentado de vir a ser afetado por uma determinada doença genética. Este registo é feito, muitas vezes, através do desenho de uma árvore genealógica que mostra as relações familiares entre os indivíduos e se têm, ou não, a doença (ou características) que estão a ser avaliadas.
A árvore genealógica pode ser usada para problemas de saúde mais comuns (como asma, diabetes e algumas formas de cancro) ou outros mais raros. Este registo é especialmente importante para avaliar se um determinado problema de saúde tem, ou não, uma contribuição genética e dar uma indicação sobre quais os testes genéticos mais adequados.
(Ver também: Cancro, Teste genético)
Cromossomas do mesmo par, um herdado da mãe e o outro do pai. Ex.: as duas cópias de um cromossoma 4, numa célula, são cromossomas homólogos.
(Ver também: Cromossoma, Herdado)
Os cromossomas de um par de homólogos têm os genes dispostos pela mesma ordem. No entanto, esses genes podem estar presentes em heterozigotia, ou seja, ter sequências diferentes (alelos diferentes). Algumas alterações nesses alelos podem ter consequências para o fenótipo, outras não.
Durante a meiose, os cromossomas homólogos emparelham e trocam material entre si (recombinação), antes de serem distribuídos pelas células-filhas. Daqui resulta que os gâmetas (células reprodutivas) são haplóides e têm combinações únicas dos alelos de cada cromossoma e, por isso, dão origem a pessoas com características únicas.
(Ver também: Gene, Heterozigótico, Alelo, Fenótipo, Meiose, Recombinação, Célula-filha, Gâmeta, Haplóide, Célula reprodutiva)
Presença de duas ou mais cópias (alelos) iguais do mesmo gene no genoma de uma pessoa.
(Ver também: Alelo, Gene, Genoma)
Todas as pessoas têm duas cópias dos genes nos autossomas e as do sexo feminino (XX) têm, também, duas cópias dos genes nos cromossomas X. As pessoas homozigóticas (homozigotos) têm duas cópias (alelos) iguais do mesmo gene. Estas pessoas têm 100% de hipóteses de transmitir o(s) mesmo(s) alelo(s) aos seus descendentes.
As características de transmissão autossómica recessiva só se expressam se o indivíduo tiver duas cópias do mesmo alelo. Isto significa que um indivíduo que apresente uma característica desse tipo será homozigótico para esse alelo.
(Ver também: Autossoma, Cromossoma X, Transmissão recessiva)
Processo em que um ou mais genes estão inativos (isto é, não são “lidos”), de acordo com o progenitor que os transmite. Diz-se que a região está imprinted se estiver inativa (ou seja, os genes não se expressam).
(Ver também: Gene, Expressão génica)
Um gene pode estar inativo (ou seja, não se expressar) ainda que a sua sequência de pares de bases não esteja alterada. Tal ocorre porque existem elementos associados ao ADN que controlam quando (e onde) um gene fica se expressa. Esses elementos são como “etiquetas” químicas (ex.: modificação por grupos metilo) que assinalam quais os genes que se expressam e os que não se expressam. Essas “etiquetas” podem ser “colocadas” no ADN de maneira diferente, conforme o gene é herdado da mãe ou do pai. Ou seja, as sequências de ADN herdadas da mãe têm um padrão diferente de “etiquetas” das que são herdadas do pai.
Existem doenças devido a desregulação deste processo. Se houver uma modificação nesse padrão de “etiquetas”, mesmo que não se altere a sequência do ADN, alguns genes inativos passam a estar ativos (e outros que estavam ativos passam a estar inativos). Por outro lado, para alguns genes, só os que são herdados da mãe é que se expressam e outros só se expressam se tiverem sido herdados do pai. Se só os da mãe estiverem ativos, e a pessoa herdar só os do pai (inativos), ou se só os do pai estiverem ativos e a pessoa herdar só os da mãe (inativos), o efeito é igual ao de não ter nenhuma cópia desse gene. Esses dois processos denominam-se dissomia uniparental (dois cromossomas herdados do mesmo progenitor) materna ou paterna. A dissomia uniparental foi já identificada em algumas doenças genéticas como, por exemplo, as síndromes de Angelman e de Prader-Willi (em que estão envolvidos genes no cromossoma 15), de Silver-Russel (que envolve genes do cromossoma 7) e de Beckwith-Wiedemann (que envolve genes do cromossoma 11).
(Ver também: ADN, Expressão génica, Herdado, Dissomia uniparental)
Processo que ocorre nas células de uma pessoa com dois cromossomas X (XX), em que um dos cromossomas X é inativado em todas as células.
(Ver também: Célula, Cromossoma X)
Esta inativação impede que as pessoas XX (sexo feminino) tenham o dobro dos produtos dos genes localizados no cromossoma X do que as pessoas XY (sexo masculino), as quais só têm um X. O processo é aleatório, ou seja, o X inativo não é sempre o mesmo em todas as células.
No caso de haver uma variante no cromossoma X, e apenas o X sem a variante estiver inativado em todas as células, pode surgir uma forma mais grave de doença nas pessoas XX.
A inativação do X é também designada por lionização, em honra da geneticista que a descobriu – Mary F. Lyon.
Resultado inesperado de um teste genético, não relacionado com o motivo clínico pelo qual o mesmo foi requisitado.
Os achados incidentais são mais frequentes no caso dos testes genómicos, porque estes avaliam em simultâneo uma quantidade mais alargada de informação do genoma do que os testes dirigidos a uma região específica.
Podem ser de vários tipos e detetados em várias situações e incluem, por exemplo, variantes anteriormente associadas a susceptibilidade (predisposição) para algumas doenças, como cancro, quando o motivo para fazer o teste tinha sido atraso de desenvolvimento numa criança. Podem também ocorrer quando vários membros de uma família são testados e se obtém informação extra sobre relações de parentesco (ex.: verificar que um pai ou uma mãe não são os pais biológicos de uma das pessoas).
(Ver também: Genómica, Genoma, Variante, Cancro, Susceptibilidade)
Tipo de variante genética que envolve a adição (introdução) de um ou mais nucleótidos numa determinada sequência do ADN. Uma inserção pode ser pequena, e envolver a adição de apenas alguns nucleótidos, ou mais extensa, envolvendo uma região grande de um cromossoma.
(Ver também: Variante, Nucleótido, ADN, Cromossoma)
Uma inserção implica sempre acrescentar material genético numa posição onde esse material não existia originalmente. Se for um único nucleótido, pode causar uma variante frameshift, que resulta numa alteração de “leitura” do ADN e, eventualmente, numa proteína alterada, com impacto na saúde. Este tipo de variantes pode apenas ser detetado por técnicas de sequenciação do ADN.
Se, por outro lado, estiver envolvida uma grande região do cromossoma, a deteção pode ser feita por microarray ou cariótipo, dependendo do tamanho da região e se a alteração envolve, ou não, ganho de material genético.
(Ver também: Variante frameshift, Proteína, Sequenciação de ADN, Microarray, Cariótipo)
Região de um gene que não contém informação para a proteína a que as instruções desse gene darão origem. Os intrões são também denominados regiões não-codificantes.
(Ver também: Gene, Proteína, Não-codificante)
A informação contida no ADN é interpretada pela célula através da produção de ARN mensageiro. Este ARN tem como molde a sequência de ADN completa. No entanto, apenas a informação necessária para produzir uma cadeia de aminoácidos (que fará parte de uma proteína) é transportada do núcleo para o citoplasma (meio líquido no interior da célula). Isto significa que a molécula original que irá dar orígem ao ARN mensageiro, sofre cortes para eliminar as sequências não-codificantes (intrões) e manter apenas as sequências codificantes (exões). Este processo designa-se por splicing.
Em geral, uma alteração num intrão não terá consequências para a estrutura e/ou função de uma proteína, a não ser que a alteração provoque erros no processo do splicing.
Por outro lado, os intrões podem estar envolvidos na regulação dos genes. Nesses casos, uma alteração poderá afetar a expressão do gene e a função da proteína.
(Ver também: ADN, Célula, ARN mensageiro, Aminoácido, Núcleo, Citoplasma, Exão, Splicing, Expressão génica)
Alteração cromossómica em que um segmento de um cromossoma quebra e volta a unir-se ao mesmo cromossoma, numa posição invertida – ou seja, é como se o segmento “rodasse” dentro do cromossoma.
(Ver também: Cromossoma)
Este tipo de alteração pode ser equilibrado (isto é, não envolver perdas nem ganhos de ADN) ou pode ser desequilibrado (ou seja, causar perda e/ou ganho de material genético).
(Ver também: Equilibrado, ADN, Desequilibrado)
Característica cujo gene está localizado no cromossoma X. A transmissão destas características pode ocorrer de uma mãe para os seus filhos e filhas ou de um pai apenas para as suas filhas.
(Ver também: Gene, Cromossoma X)
Os genes localizados no cromossoma X podem ser transmitidos pela mãe (XX) ou pelo pai (XY) às suas filhas (XX). Não poderão ser transmitidos de um pai (XY) aos seus filhos (XY).
Assim, uma doença (ou característica) numa pessoa XX, que resulte de uma alteração num gene localizado no cromossoma X, tem uma transmissão genética (dominante ou recessiva) semelhante à que acontece para os genes localizados num autossoma. No entanto, as pessoas XY manifestarão sempre a característica desde que herdem esse alelo, porque só têm essa cópia do gene (são hemizigóticas).
(Ver também: Dominante, Recessiva, Herdado, Alelo, Hemizigótico)
Característica cujo gene está localizado no cromossoma Y. A transmissão destas características ocorre de um pai (XY) para os seus filhos do sexo masculino (XY).
(Ver também: Gene, Cromossoma Y)
Os genes localizados no cromossoma Y só poderão ser transmitidos pelo pai (XY) aos seus filhos (XY).
Assim, uma doença (ou característica) que resulte de uma alteração num gene localizado no cromossoma Y, será sempre transmitida pelo pai afetado (XY) aos seus filhos (XY), que serão também afetados.
ver Inativação do X
Organelo (componente especializado) dentro de uma célula, rodeado por uma membrana, que contém proteínas (enzimas) que degradam compostos que a célula necessita de eliminar.
(Ver também: Organelo, Célula, Membrana, Proteína)
Os lisossomas estão envolvidos em vários processos celulares. Podem “digerir” componentes celulares desgastados ou em excesso e, até, destruir vírus ou bactérias que invadam a célula. Caso a célula esteja demasiado danificada, os lisossomas podem promover a morte celular (apoptose). Isto significa que os lisossomas funcionam como uma “central de tratamento de lixo” da célula. Caso haja alterações no seu funcionamento, o “lixo” acumula-se e torna-se tóxico para os tecidos.
Algumas alterações genéticas (variantes) causam perturbações no funcionamento dos lisossomas e resultam em doenças graves. Essas doenças são denominadas doenças lisossomais de sobrecarga (ex.: síndrome de SanFilippo) e podem afetar várias partes do corpo, incluindo o sistema nervoso.
(Ver também: Variante)
Posição específica num cromossoma (plural: loci). Esta posição funciona como o sítio físico, o local ou a “morada” de uma determinada sequência de ADN.
(Ver também: Cromossoma, ADN)
Conhecer a localização de uma dada sequência de ADN no genoma é muito importante, especialmente quando se estudam os genomas de muitas pessoas. Esta informação garante que uma região do genoma possa ser comparada com a sua região equivalente, noutra pessoa ou num genoma (humano) de referência.
Tal como numa morada indicamos o nome da rua, o número da porta e o andar, para descrever os loci usam-se convenções específicas: o gene, a posição dentro do gene e a localização no cromossoma.
(Ver também: Genoma, Genoma Humano de Referência, Gene, Cromossoma)
Quando os atos médicos são dirigidos especificamente a uma pessoa ou grupo de pessoas, com base no conhecimento sobre fatores genéticos, ambientais e estilo de vida que possam determinar quais os métodos mais apropriados para a prevenção, diagnóstico e tratamento da doença.
(Ver também: Fatores ambientais)
A principal vantagem da Medicina de Precisão é a de permitir criar estratégias de saúde mais eficazes para cada pessoa, família ou população.
Existem muitos fatores diferentes que podem contribuir para o aparecimento e evolução de doenças. Tê-los em conta quando se decidem quais os cuidados de saúde a adotar pode permitir melhores resultados dos mesmos para os doentes. Esses fatores incluem dados de saúde, de estilo de vida ou dados genómicos. Ao utilizar esses dados, os tratamentos podem ser personalizados para cada doente, em vez de aplicar uma estratégia comum para todos os doentes, que pode não ser eficaz para todos. Por exemplo, duas pessoas com o mesmo tipo de cancro podem responder de forma diferente ao mesmo tratamento. Ao considerar fatores genómicos característicos desse tipo de cancro, ao mesmo tempo que se consideram outros dados de saúde da pessoa, é possível selecionar os tratamentos que serão mais eficazes e personalizá-los especificamente para cada pessoa.
Área dos cuidados de saúde, em desenvolvimento, que envolve o uso de informação e tecnologia genómicas para determinar o risco, susceptibilidade, diagnóstico e prognóstico de uma doença numa pessoa. Esta abordagem permite, ainda, escolher e organizar as opções de tratamento, sempre que elas existam.
(Ver também: Genómica, Susceptibilidade)
A informação contida no genoma de uma pessoa pode contribuir para o desenvolvimento de doenças e influenciar a forma como essa pessoa possa responder aos tratamentos. O uso dessa informação nos cuidados de saúde pode permitir obter um diagnóstico, o que possibilitará ter opções de tratamento e de prognóstico. Em alguns casos, isso inclui, ainda, a possibilidade de avaliar, para esse indivíduo, a segurança e eficácia de determinados medicamentos.
(Ver também: Genoma)
Corresponde a um milhão de pares de bases. Esta é uma medida da extensão de ADN que está ser considerada, estudada ou envolvida em determinado teste ou associada a determinada doença.
(Ver também: Par de bases, ADN)
Na prática, esta medida permite saber qual a quantidade de material genético envolvida.
Processo de divisão celular em que uma célula que é diplóide dá origem a quatro células-filhas, cada uma destas com metade do conteúdo de ADN da célula original (ou seja, são haplóides). O objetivo da meiose é produzir células reprodutivas denominadas gâmetas (óvulos e espermatozóides).
(Ver também: Célula, Diplóide, Célula-filha, ADN Haplóide, Gâmeta, Óvulo, Espermatozóide)
Quando os gâmetas (óvulo e espermatozóide) se unem, durante a fecundação, dão origem a um zigoto diplóide (isto é, com um par de cada cromossoma). Por isso, é importante que cada gâmeta seja haplóide (ou seja, tenha apenas um cromossoma de cada par).
Se ocorrer um erro durante a meiose, podem ser produzidos gâmetas com cromossomas a mais ou a menos. As consequências para o zigoto dependem do cromossoma envolvido. Na maioria dos casos, o embrião não sobrevive mas, por vezes, esses erros podem resultar em trissomias (ex.: trissomia 21, que causa síndrome de Down) ou anomalias dos cromossomas sexuais (ex.: monossomia X, que causa síndrome de Turner).
(Ver também: Zigoto, Cromossoma, Trissomia, Cromossoma sexual, Monossomia, Síndrome)
A membrana celular é como uma “capa” exterior que envolve completamente uma célula, protegendo o meio líquido no interior da célula (citoplasma) e os seus componentes especializados (organelos).
(Ver também: Célula, Citoplasma, Organelos)
Esta membrana funciona como uma barreira, que usa algumas proteínas como “portas” para controlar quais as substâncias que entram e que saem da célula, e como esse processo acontece. Se houver perturbações nesse funcionamento, algumas substâncias podem não atravessar a membrana, ou fazem-no na altura errada. Algumas doenças como, por exemplo, a fibrose quística, resultam desse tipo de perturbação.
(Ver também: Proteína)
Membrana que rodeia o núcleo. É uma camada dupla que separa o local onde se encontra o ADN, separando-o do resto da célula, protegendo-o de danos provocados por substâncias e reações químicas que ocorrem no resto da célula. Esta dupla camada promove também a regulação do processo de transcrição do ADN em ARN mensageiro.
(Ver também: Núcleo, ADN, Célula, Transcrição, ARN mensageiro)
A membrana nuclear contém vários “orifícios” (poros) que possibilitam a passagem seletiva de certos materiais, tais como ácidos nucleicos e proteínas, entre o núcleo e o citoplasma. Isto permite que o material genético esteja protegido e que os processos relacionados com a expressão dos genes (nomeadamente a transcrição) possam ser regulados particularmente por proteínas que existem no citoplasma (meio líquido no interior da célula), mas que podem atuar no núcleo em determinados processos.
Durante a divisão celular, a membrana nuclear dissolve-se para permitir a formação de uma estrutura, designada fuso acromático, ao longo do qual os cromossomas são transportados para cada uma das extremidades da célula. Após terminar esse processo, a membrana nuclear é regenerada.
(Ver também: Ácido nucleico, Citoplasma, Expressão génica, Fuso acromático, Cromossoma)
ver Monogénica
O nome refere-se ao monge Gregor Mendel que, no século XIX, foi o
primeiro a descrever a transmissão de características entre gerações de
ervilhas, formulando as leis da hereditariedade.
Uma das fases dos processos de divisão celular (mitose ou meiose).
Em geral, a maior parte do ADN está “desenrolado” no interior do núcleo da célula mas, quando uma célula prepara a sua divisão o ADN apresenta-se enrolado em cromossomas. Durante a metafase, a membrana nuclear “dissolve-se”, os cromossomas tornam-se mais compactos e alinham-se no centro da célula que se está a dividir. Nesta fase, só é possível distinguir os cromossomas uns dos outros pelo tamanho, quando observados ao microscópio. O estudo completo do número e estrutura dos cromossomas em metafase só poderá ser feito através do teste genético cariótipo.
(Ver também: ADN, Núcleo, Divisão celular, Célula, Membrana nuclear, Cromossoma, Cariótipo)
Modificação molecular do ADN (e de outras moléculas), que pode ser mantida pelas células durante os vários processos de divisão celular. Esta modificação não altera a sequência de pares de bases do ADN, mas pode afetar o estado de ativação dos genes e sua expressão.
(Ver também: ADN, Célula, Par de bases, Gene, Expressão génica)
Durante a metilação, os grupos metilo (que funcionam como “etiquetas” químicas), são adicionados à base citosina em posições específicas no ADN. Uma vez ligados ao ADN, podem inativar (“desligar”) os genes – ou seja, podem bloquear a expressão génica. Esse processo permite controlar a produção da proteína codificada por esse gene.
O padrão de metilação das células nos tumores está frequentemente modificado, o que resulta em alterações na expressão de genes nesses tumores. Outras doenças (ex.: síndrome de Prader-Willi) também podem surgir por modificações do padrão de metilação (Ver também: Imprinting).
As modificações do padrão de metilação fazem parte das chamadas alterações epigenéticas – modificam o ADN, sem alterar a sequência de pares de bases. Ao alterarem a expressão dos genes, podem ser responsáveis pelos problemas de saúde que afetam um indivíduo, devendo, por isso, ser consideradas e testadas sempre que for adequado.
(Ver também: Citosina, Proteína, Codificante, Cancro, Síndrome, Imprinting, Epigenética, Par de bases)
Teste genético feito em chip contendo sondas para todo o genoma, o que permite o estudo da dos cromossomas em milhares de regiões em simultâneo do ADN (ou, em alguns casos, a avaliação da expressão génica).
(Ver também: Sonda, Genoma, Cromossoma, ADN, Expressão génica)
Este teste de diagnóstico permite detetar ganhos e perdas de regiões pequenas dos cromossomas, pela comparação entre uma amostra de ADN de um indivíduo e uma amostra de ADN de referência (com sequência conhecida). Através deste teste, é feito um estudo de milhares de regiões do genoma, sendo possível detetar variações do número de cópias (CNV) de determinadas sequências de ADN. Estas alterações estão, muitas vezes, presentes em fetos nos quais tenham sido observadas alterações durante a ecografia pré-natal ou em indivíduos com atraso global do desenvolvimento, perturbação do desenvolvimento intelectual, perturbação do espectro do autismo e malformações congénitas.
É, ainda, possível identificar outras alterações não relacionadas com a suspeita médica (achados incidentais). No entanto, este tipo de teste genético não permite diagnosticar anomalias na estrutura dos cromossomas que não envolvam ganhos ou perdas de material genético, dado que não analisa o ADN sob a forma de cromossomas.
(Ver também: Cromossoma, ADN, CNV, Achado incidental)
Alteração (variante) genética em que a mudança de um par de bases, numa determinada sequência de ADN (gene), leva à alteração do aminoácido na respetiva posição da proteína codificada por esse gene.
(Ver também: Variante, Par de Bases, ADN, Gene, Aminoácido, Proteína, Codificante)
Este tipo de variante genética altera o aminoácido que é adicionado à proteína em determinada posição, durante a tradução dos codões do ARN mensageiro que ocorre no ribossoma. Tal pode, ou não, resultar numa mudança na função da proteína e em consequências mais ou menos graves na saúde. A gravidade dos efeitos depende da posição e função do aminoácido alterado na proteína. Se for numa região fundamental para a função da proteína, as consequências serão mais graves. Se o aminoácido alterado estiver numa posição menos crítica para a atividade da proteínas, as consequências poderão ser menos graves.
(Ver também: Variante, Tradução, Codão, Ribossoma, ARN mensageiro)
As mitocôndrias são pequenos “órgãos” (organelos), existentes no interior das células responsáveis por produzir energia. Contêm um pequeno genoma – o ADN mitocondrial (mtADN) – com 16000 pares de bases e 37 genes. Esse ADN tem uma forma circular.
(Ver também: Organelo, Célula, Genoma, ADN)
As mitocôndrias são herdadas apenas da mãe, por já se encontrarem no óvulo (gâmeta feminino) mas não no espermatozóide (gâmeta masuclino). Assim, alterações no ADN mitocondrial só poderão ser transmitidas por via materna. No entanto, uma doença genética que afete o funcionamento das mitocôndrias, pode resultar de uma alteração no ADN mitocondrial ou em genes contidos no núcleo da célula.
(Ver também: Herdado, Óvulo, Espermatozóide, ADN, Gâmeta, Gene, Núcleo)
Processo de divisão celular em que uma célula dá origem a duas células-filhas, cada uma com o conteúdo em ADN idêntico ao da célula original.
(Ver também: Célula, Célula-filha, ADN)
A produção de células-filhas através da mitose permite o crescimento, desenvolvimento e reparação do corpo. O conteúdo de ADN das células-filhas é idêntico ao da célula original porque, antes do início da divisão celular, todo o genoma é duplicado. Durante este processo podem ocorrer erros que, se não forem reparados pela célula, poderão ser transmitidos nas divisões celulares seguintes. Estes erros podem não ter consequências graves para o indivíduo, mas alguns podem resultar em formas de cancro. Dado que não afetam as células reprodutivas (gâmetas), este tipo de erros não é transmitido à descendência.
Um modelo animal é uma espécie, não-humana, usada em investigação por ter processos biológicos, ou de doença, semelhantes aos da espécie humana.
Modelos animais, como ratos, peixes-zebra e outros, partilham alguns aspetos biológicos com os humanos, na sua anatomia, fisiologia, resposta a infeções ou na resposta celular. Isto permite que os investigadores possam, a partir dos resultados de estudos com modelos animais, estimar o que acontece na fisiologia humana e nos mecanismos de certas doenças. Os modelos animais são também usados para efetuar experiências que, por motivos práticos e éticos, não podem ser feitos em humanos.
Modificações moleculares reversíveis que uma cadeia de aminoácidos (péptido) sofre e que determinam a estrutura e função da proteína final.
(Ver também: Aminoácido, Péptido, Proteína)
A função final de uma proteína depende não só da sequência do gene que a codifica mas, também, de modificações adicionais das suas propriedades, que podem ocorrer depois de o gene ser transcrito e traduzido numa cadeia de aminoácidos (cadeia polipeptídica).
Essas modificações podem influenciar a atividade da proteína, a sua estabilidade e, também, a sua interação com outras proteínas. Muitas dessas modificações pós-tradução são realizadas por enzimas.
Algumas das modificações podem funcionar como indicadores (biomarcadores) de doença. Essa propriedade está na base da investigação que as utiliza para melhorar a eficácia no tratamento de doenças como cancro e doenças neurodegenerativas.
(Ver também: Gene, Codificante, Transcrição, Tradução, Enzima, Cancro)
Tipo de transmissão genética que envolve apenas um gene. O termo é, também, aplicado a doenças (ou características) que apresentem esse tipo de transmissão.
Também denominada mendeliana devido ao nome do monge Gregor Mendel que, no século XIX foi o primeiro a descrever a transmissão de características entre gerações de ervilhas, formulando as leis da hereditariedade.
(Ver também: Gene)
Muitas das doenças genéticas são causadas por variantes em apenas um gene. Neste tipo de transmissão genética, as variações do gene (alelos) podem expressar-se de duas formas. Se para a característica (ou a doença) se manifestar bastar que a variante esteja presente numa das duas cópias, a transmissão é dominante. Se, pelo contrário, forem necessárias duas cópias do mesmo alelo para que a característica se manifeste, a transmissão é recessiva.
Caso o gene se localize num autossoma, a transmissão será autossómica dominante ou recessiva. Se o gene estiver localizado no cromossoma X, a transmissão será ligada ao X dominante ou recessiva.
A fibrose quística é um exemplo de doença com transmissão autossómica recessiva (envolve o gene CFTR), enquanto a doença de Huntington apresenta transmissão autossómica dominante (envolve o gene HTT).
(Ver também: Alelo, Dominante, Recessiva, Autossoma, Cromossoma X, Transmissão Ligada ao X)
Anomalia cromossómica em que existe perda de um dos cromossomas de um par.
(Ver também: Cromossoma)
A monossomia é um tipo de aneuploidia. A maioria das monossomias é inviável, isto é, não possibilita que o embrião/feto sobreviva. A exceção é a monossomia do cromossoma X, que causa a síndrome de Turner. No entanto, podem ocorrer monossomias parciais, quando se “perde” apenas parte de um dos cromossomas de um par (ex.: síndrome de Cri-du-chat, por deleção de parte do cromossoma 5).
É possível detetar monossomias, tal como outros tipos de aneuploidia, nas células somáticas de alguns tipos de cancro, o que permite avaliar a progressão e resposta ao tratamento. As monossomias podem ser detetadas atraves do estudo do cariótipo ou (no caso de monossomias específicas) de um estudo molecular direcionado.
(Ver também: Aneuploidia, Cromossoma X, Síndrome, Deleção, Células somáticas, Cancro, Cariótipo)
ver Gravidez gemelar monozigótica
A existência de grupos (populações) de células com conteúdos genéticos diferentes uns dos outros, na mesma pessoa, órgão, ou tecido.
(Ver também: Célula)
Nos casos de mosaicismo, as diferenças de conteúdo genético podem envolver uma pequena alteração que inclui desde um ou poucos pares de bases num gene, a alterações grandes com adição ou perda de cromossomas.
Se a alteração (variante) num gene ou cromossoma surgir numa fase inicial do desenvolvimento do embrião, a variante estará presente num grande número de células. Conforme o corpo se desenvolver, essas células farão parte de vários tecidos ou órgãos.
Por outro lado, se a alteração ocorrer mais tarde, a variante poderá estar presente em apenas alguns tecidos, ou partes de um tecido, ou órgão. Alguns tipos de cancro ocorrem devido à presença de variantes genéticas novas e são um exemplo de mosaicismo que afeta apenas uma parte de um tecido.
(Ver também: Variante, Par de bases, Gene, Cromossoma, Cancro)
Qualquer alteração patogénica na sequência do ADN de um indivíduo. Também designada por variante.
(Ver também: ADN, Variante, Variante patogénica)
Uma alteração genética pode causar doença, se levar a que uma proteína mude ou perca a sua função. Daí que, muitas vezes, se use o termo “mutação” apenas quando a alteração causa doença. Embora, para descrição de uma alteração no ADN, se possa usar tanto o termo “mutação” como o termo “variante”, este último é cada vez mais utilizado por clínicos e doentes.
Agente químico ou físico que ataca as bases do ADN e causa alterações (mutações/variantes) no mesmo.
(Ver também: ADN, Mutação, Variante)
Fumo de tabaco, raios X, substâncias radioativas, raios solares ultra-violeta e vários químicos poluentes presentes no ambiente são exemplos de mutagénios comuns. A exposição a mutagénios pode resultar em mutações/variantes no ADN que podem contribuir ou causar alguns tipos de doenças.
Regiões do ADN (genoma) que não contêm informação para a célula produzir proteínas, mas que podem participar na regulação da expressão dos genes.
(Ver também: ADN, Genoma, Célula, Proteína, Expressão génica)
Apenas 2% do genoma tem informação codificante (isto é, a informação dos cerca de 20 000 genes humanos para a produção de proteínas). Os restantes 98% são regiões não-codificantes. Embora algumas tenham um papel conhecido na estrutura de cromossomas ou na regulação da expressão dos genes, outras têm uma função ainda desconhecida.
(Ver também: Codificante, Gene, Cromossoma)
Processo em que os dois cromossomas de um par (homólogos) não se separa durante a divisão celular. Este erro na divisão celular leva à presença de um cromossoma extra numa das células-filhas e um cromossoma a menos na outra.
(Ver também: Cromossoma, Homólogo, Divisão celular, Célula-filha)
Na divisão celular, cada célula-filha deve ter o número de cromossomas idêntico ao da célula original. Para que haja essa distribuição, cada cromossoma liga-se às fibras de uma estrutura, denominada fuso acromático, e cada cromatídeo (em caso de mitose) ou par de homólogos (em caso de meiose) é transportado para pólos opostos da célula. Em seguida, a célula divide-se em duas, cada uma com uma quantidade idêntica de cromossomas. Na meiose, existe ainda uma troca entre cromatídeos de dois cromossomas homólogos, num processo denominado recombinação (ou crossing-over), o qual é fundamental para haver diversidade genética.
Em alguns casos, ambos os cromossomas homólogos migram para o mesmo pólo da célula. Isto leva a uma distribuição desigual do número de cromossomas para as células-filhas. Daí pode resultar perda e/ou ganho de cromossomas nas células, tal como acontece em algumas trissomias (ex.: trissomia 21, que causa síndrome de Down) ou monossomias (ex.: monossomia X, que causa síndrome de Turner). É ainda possível detetar monossomias ou trissomias nas células somáticas de alguns tipos de cancro.
(Ver também: Célula, Cromatídeo, Mitose, Meiose, Recombinação, Trissomia, Monossomia, Síndrome, Cancro)
ver Sequenciação de Nova Geração
ver Rastreio Pré-natal Não-invasivo
Alteração (variante) genética em que a sequência de ADN, em vez de ter informação para adicionar um determinado aminoácido numa proteína, tem informação para terminar a produção da cadeia peptídica. Uma variante nonsense leva à produção de um codão stop, o que resulta numa cadeia de aminoácidos (péptido) mais curta.
(Ver também: Variante, ADN, Aminoácido, Proteína, Péptido, Codão stop)
Uma cadeia de aminoácidos mais curta corresponde a uma proteína mais pequena que deixa, muitas vezes, de ter a função original. As variantes nonsense podem ter consequências muito graves para a proteína para a qual o gene tem instruções. Essas consequências incluem perda de função, função muito alterada ou, muitas vezes, ausência de produção da proteína.
Aproximadamente um terço das variantes que causam doenças genéticas, como a fibrose quística, a beta-talassémia ou formas hereditárias de cancro, resultam de variantes deste tipo.
Componente especializado (ou organelo), rodeado por uma membrana, que existe no interior de uma célula e que contém a maioria do ADN dessa célula.
(Ver também: Organelo, Membrana nuclear, Célula, ADN)
Este é o maior organelo existente na célula. A maioria do ADN está contido no núcleo, à exceção de uma pequena parte existente nas mitocôndrias (designada ADN mitocondrial). A membrana nuclear impede que o ADN interaja com os restantes organelos da célula, no entanto, tem poros que permitem a passagem de ARN ou de proteínas.
Em geral, as células têm apenas um núcleo. No entanto, algumas células (ex.: do músculo ou do fígado) podem ter mais do que um núcleo – são plurinucleadas. Mas, células plurinucleadas podem também ser sinal de doença, tal como em alguns tipos de cancro. Existem, ainda, células especializadas que “expulsaram” o seu núcleo, ou seja, são enucleadas (ex.: glóbulos vermelhos).
(Ver também: Núcleo, Mitocôndria, ARN, Proteína, Cancro)
Moléculas que funcionam como os “blocos de construção” do ADN e do ARN. Um nucleótido consiste numa base azotada [adenina, citosina, guanina e timina (ou uracilo no ARN)], um açúcar (desoxirribose no ADN, ribose no ARN) e um grupo fosfato.
(Ver também: ADN, ARN, Base, Adenina, Citosina, Guanina, Timina, Uracilo)
Um conjunto de três nucleótidos no ADN (tripleto) serve de molde a três nucleótidos no ARN (codão) e esta informação corresponde a um aminoácido específico. Uma sequência de tripletos/codões corresponde a uma cadeia de aminoácidos, a qual fará parte da proteína final que é produzida.
Alterações em um ou mais nucleótidos podem levar a alterações na proteína (e no fenótipo) final. Sempre que se indica que existe uma alteração numa base (ou par de bases), isso refere-se a uma alteração num nucleótido em que essa base está contida.
(Ver também: Codão, Aminoácido, Proteína, Fenótipo, Base, Par de bases)
Gene com uma alteração (variante) que tem o potencial de desencadear o desenvolvimento de cancro.
(Ver também: Gene, Variante, Cancro)
Antes de se tornar um oncogene, o gene denomina-se proto-oncogene e a proteína resultante tem funções no normal controlo da divisão celular. Se ocorrer uma determinada alteração (variante) nesse gene, que altera a função da proteína, ele passa a ser um oncogene, a divisão celular fica desregulada e a célula multiplica-se descontroladamente.
Alguns oncogenes estimulam a divisão celular, tornando-a descontrolada. Outros genes, designados como supressores de tumor, bloqueiam a divisão celular e qualquer alteração genética que os inative também permite que uma célula se multiplique indefinidamente.
(Ver também: Proteína, Divisão celular, Variante)
Componente especializado contido numa célula, que tem uma função específica no interior da mesma. Exs.: núcleo, mitocôndria, ribossoma, lisossoma.
(Ver também: Célula, Núcleo, Mitocôndria, Ribossoma, Lisossoma)
Os organelos são duplicados e distribuídos igulamente pelas células-filhas durante a divisão celular. O número de organelos em cada célula varia e depende da função dessa célula (ex.: as células musculares têm um elevado número de mitocôndrias, porque necessitam de muita energia para funcionar). A maioria das células tem os mesmos tipos de organelos, embora em quantidades diferentes, mas existem exceções como, por exemplo, os glóbulos vermelhos, que não têm núcleo.
(Ver também: Célula-filha, Divisão celular)
Grupo de genes específicos que são escolhidos para serem analisados simultaneamente, no caso de determinada doença, por se saber que estão associados a uma dada doença genética ou a um conjunto de sintomas em estudo.
(Ver também: Gene)
Estudar um conjunto definido de genes pode facilitar, em termos de tempo e espaço, a pesquisa de uma ou mais variantes, responsáveis por uma ou mais doenças (ou características). Existem determinados genes que já foram associados especificamente a determinadas características. Nessas situações, um painel de genes selecionados, que pode variar entre 5 até mais de 100 genes, pode ser um bom ponto de partida para a pesquisa de variantes nesses genes que possam ser causadoras da doença. Existem, por exemplo, diferentes painéis de genes para estudar doentes com suspeita de ter um cancro familiar do cólon ou da mama.
(Ver também: Variante)
Unidade constituída por duas bases (de nucleótidos) complementares no ADN, que emparelham e formam os “degraus” da espiral da dupla hélice do ADN. A base adenina emparelha com a base timina, e a base citosina emparelha com a base guanina. Muitas vezes é usada a abreviatura bp (do inglês, base pair) para indicar o tamanho de uma dada sequência de ADN porque, na prática, a molécula do ADN existe sempre em cadeia dupla. Em geral e para sequências grandes de ADN utilizam-se múltiplos dessa unidade, como kilobases (Kb, mil pares de bases) ou megabases (Mb, um milhão de pares de bases).
(Ver também: Nucleótido, ADN, Adenina, Timina, Citosina, Guanina, Kilobase, Megabase)
Numa molécula de ADN as bases de duas cadeias opostas atraem-se com interações elétricas fracas (pontes de hidrogénio), num processo denominado emparelhamento de bases complementares. Estas ligações permitem a formação da dupla cadeia e facilitam a produção de novas moléculas de ADN (replicação). Também facilita a produção (transcrição) das cadeias de ARN mensageiro. Neste último caso, a adenina (no ADN) emparelha com a base uracilo no ARN. A informação contida no ARN mensageiro irá depois ser traduzida para a produção de uma cadeia de aminoácidos que estará na base da proteína final.
Muitas das tecnologias que permitem o estudo da sequência de ADN (tecnologias de sequenciação) baseiam- se neste processo de emparelhamento de bases complementares.
(Ver também: Replicação, Transcrição, ARN mensageiro, Uracilo, Tradução, Aminoácido, Proteína, Tecnologias de sequenciação)
Ver Variante patogénica
PCR (do inglês polymerase chain reaction), ou reação em cadeia da polimerase, é uma técnica de laboratório que permite “copiar”, num tubo de ensaio, um segmento específico de ADN e criar rapidamente (amplificar) milhões de cópias. A técnica possibilita o estudo, com maior detalhe, de determinadas regiões do ADN.
(Ver também: ADN)
Nesta técnica são utilizadas sequências de ADN (primers), criadas em laboratório, específicas para o segmento que se pretende estudar. Seguidamente, são necessários vários ciclos de produção (síntese) desse segmento de ADN (que contém habitualmente 100 a 2000 pares de bases), até que uma enzima adicionada, a polimerase, possibilite a produção de milhares de cópias do mesmo.
Este processo permite que sejam estudadas sequências de ADN que possam estar envolvidas em determinadas doenças (ou características) genéticas.
(Ver também: Par de bases, Enzima)
Probabilidade de um indivíduo, com uma determinada constituição genética (genótipo), de manifestar as características (fenótipo) associadas a esse genótipo.
(Ver também: Genótipo, Fenótipo)
As características aparentes de um indivíduo (fenótipo) raramente resultam apenas da sua constituição genética (genótipo). Tal acontece porque os genes não atuam sozinhos. Os fenótipos são também influenciados pela interação entre vários genes, e entre os genes e o ambiente.
A penetrância pode ser de 100%, ou seja, penetrância completa, quando a presença da variante leva sempre a que a pessoa manifeste a doença (ou característica) em causa. Noutros casos, a penetrância pode ser muito inferior, mesmo que a variante seja uma causa importante da doença, devido a efeitos moduladores (ex.: estilo de vida ou ação de outros genes.
(Ver também: Gene, Fatores ambientais, Variante)
Cadeia curta de aminoácidos unidos entre si por ligações químicas (ligações peptídicas).
(Ver também: Aminoácido)
Em geral, um péptido tem entre 2 e 50 aminoácidos. Uma cadeia mais longa (51 ou mais aminoácidos) é designada por polipéptido. As proteínas produzidas por uma célula são constituídas por um ou mais polipéptidos. Enquanto estão a ser produzidos (sintetizados), esses péptidos/polipéptidos sofrem um processo complexo, em que as cadeias se ligam e se “dobram” sobre si mesmas até criar a proteína final.
Adicionalmente, a proteína pode necessitar de modificação pós-tradução. Se este processo não decorrer normalmente, a estrutura da proteína pode não permitir a sua função normal, e isso causar alterações no fenótipo.
(Ver também: Célula, Aminoácidos, Modificação pós-tradução, Fenótipo)
Teste genético que permite pesquisar variantes patogénicas (potencialmente causadoras de doença) no ADN de embriões obtidos por reprodução medicamente assistida, antes da sua implantação no útero.
(Ver também: Variante patogénica, ADN)
As técnicas de reprodução medicamente assistida (ex.: FIV) podem ser usadas por casais que tenham problemas de fertilidade. Para aumentar as taxas de sucesso, os embriões produzidos podem ser testados geneticamente, antes de serem implantados no útero materno. Para tal, é possível recolher algumas células de cada embrião e pesquisar se têm variantes genómicas conhecidas que possam causar doença(s) genética(s). Este método é denominado diagnóstico genético pré-implantatório (DGPI). Permite não só selecionar os embriões com maior probabilidade de sobreviver até ao final da gravidez, mas também evitar que o casal venha a ter uma criança com uma doença genética grave da qual sejam portadores.
Característica (ou doença) causada por uma combinação de duas ou mais variantes em diferentes genes.
Dado que envolvem mais do que um gene, estas características (ou doenças) não apresentam uma padrão de transmissão mendeliana/monogénica. Muitas destas características (ou doenças) são também influenciadas pelo ambiente – são, por isso, também denominadas multifactoriais.
A combinação da informação do genótipo em vários loci (i.e. poligénico) está a ser estudada para calcular um risco genético específico.
(Ver também: Monogénica, Fatores ambientais, Multifactorial, Genótipo, Locus)
Uma ou mais formas alternativas de uma sequência de ADN que podem ser encontradas num grande número de pessoas (pelo menos 1% da população). Entretanto, a designação variante neutra é adotada.
Os polimorfismos mais frequentes são as variações de um único nucleótido (SNP, do inglês single nucleotide polymorphism), mas há outros que envolvem sequências mais longas de ADN. Estas variantes podem, ou não, estar associadas a doenças. Existem vários locais no genoma que são polimórficos. A sua presença podem ter ou não consequências na função das proteínas.
Ex.: as diferenças entre indivíduos relativamente ao grupo sanguíneo, determinadas por proteínas que existem no exterior dos glóbulos vermelhos. Pessoas diferentes têm variantes diferentes dos genes que codificam essas proteínas e, por isso, têm proteínas diferentes. Os grupos sanguíneos são importantes para a coagulação do sangue e podem influenciar a resposta a infeções. A informação do grupo sanguíneo é também importante para as doações de sangue. O sistema imunitário reconhece as proteínas das células sanguíneas doadas por uma pessoa com o mesmo grupo sanguíneo. Mas, se este grupo for diferente, o sistema imunitário não reconhece essas proteínas e desencadeia uma defesa imunitária contra essas células.
Outros exemplos são os testes de paternidade ou de genética forense que utilizam regiões altamente varíaveis (polimórficas) do genoma para distinguir indivíduos.
(Ver também: Nucleótido, Proteína, Gene, Codificante, Célula, Genoma)
Termo que, em Genética/Genómica Humana, é usado para descrever uma pessoa que tem uma variante genética associada a uma determinada característica, ou doença, mas não a manifesta.
(Ver também: Variante)
Este termo é mais frequentemente usado para característica (ou doença) de transmissão recessiva. As pessoas com apenas uma cópia do alelo alterado não apresentam a característica, mas podem transmitir o alelo aos descendentes. Se apenas um dos progenitores for portador, embora o risco (probabilidade) de as crianças herdarem esse alelo seja cerca de 50% (1 em 2), elas não irão apresentar a característica. Se ambos os progenitores forem portadores, o risco de transmitirem o alelo alterado é de cerca de 75% (3 em 4), no entanto, o risco de essas crianças apresentarem a característica é cerca de 25% (1 em 4). Caso um dos progenitores tenha duas cópias desse alelo (i.e., apresente a característica) e o outro tenha apenas uma (portador), o risco de as suas crianças apresentarem a característica é cerca de 50% (1 em 2), e cerca de 25% (1 em 4) de serem apenas portadoras.
No caso de uma pessoa ser portadora de uma translocação cromossómica equilibrada (isto é, de uma troca entre cromossomas de pares diferentes, sem perda de material genético) as crianças podem ou não herdar a mesma translocação, ou herdar uma forma desequilibrada da mesma. Uma translocação desequilibrada envolve sempre perda e/ou ganho de material genético, e terá sempre consequências a nível do fenótipo.
(Ver também: Recessivo, Alelo, Herdado, Translocação, Equilibrada, Cromossoma, Desequilibrado, Fenótipo)
Pessoa que tem, ou está em risco de ter, uma determinada doença genética. É a primeira pessoa a ser estudada na família.
Normalmente, o probando é a primeira pessoa estudada da família e desencadeia o estudo de uma dada doença genética noutros familiares. Essa investigação inclui a a representação da história familiar (clínica) através do desenho da árvore genealógica e pode revelar que já houve outras pessoas identificadas como tendo a doença em estudo.
(Ver também: História familiar, Árvore genealógica)
Molécula composta por muitos aminoácidos cuja sequência é específica de cada proteína. Por sua vez, a sequência de aminoácidos é determinada pela sequência de ADN. Este tipo de moléculas é composto por uma ou mais cadeias de aminoácidos (os polipéptidos) e pode ter muitos tipos de funções no corpo humano.
(Ver também: ADN, Aminoácido, Péptido)
Saiba mais neste vídeo: Proteínas: as boas, as más e as vilãs | Ep. 7
As proteínas são essenciais para o funcionamento do corpo. As suas funções incluem suporte/estrutura, transporte de substâncias (ex: oxigénio), digestão, entre muitas outras. Se uma determinada alteração (variante) genética alterar a sequência de ADN correspondente a uma proteína, pode alterar a sua estrutura e a sua função. Consequentemente, uma proteína alterada pode levar ao aparecimento e/ou progressão de uma determinada doença.
Conjunto completo das proteínas de uma pessoa, tecido ou célula. Inclui também informação sobre a sua estrutura, função, localização e interações.
(Ver também: Proteína, Célula)
Fornece informação sobre quais as proteínas que se expressam numa determinada pessoa, tecido ou célula, para perceber quais as consequências das alterações na expressão de uma (ou de um conjunto de) proteína(s).
Área científica que estuda o conjunto completo das proteínas de uma pessoa, tecido ou célula. O estudo abrange a identificação das proteínas, da sua estrutura, função, localização e interações entre si e com outras moléculas.
(Ver também: Proteína, Célula)
A proteómica estuda todas as proteínas produzidas a partir do genoma, para compreender melhor as mudanças na expressão proteica nas células e nos tecidos. Envolve a análise em larga escala da interação entre proteínas, além da identificação e localização de proteínas de interesse. O objetivo é desenvolver novas ferramentas para diagnosticar, avaliar e acompanhar os doentes e permitir aos médicos personalizarem a terapia.
Técnica de laboratório que envolve o estudo do ADN livre (isto é, que não está contido no interior das células) que existe numa dada amostra biológica.
Este método deteta as pequenas quantidades de ADN libertadas pelas células, e é utilizado frequentemente para pesquisar variantes associadas a uma doença genética.
Pode ser usado para detetar, caracterizar e acompanhar o tratamento de alguns tipos de cancro.
Pode também ser aplicado, durante a gravidez, para pesquisar o ADN fetal livre em circulação no sangue materno, um processo designado por rastreio pré-natal não invasivo)
(Ver também: Variante, Cancro, Rastreio Pré-Natal Não-Invasivo).
Em Genética (Humana), o rastreio neonatal é um conjunto de testes laboratoriais feitos em amostras de bebés para identificar algumas doenças congénitas (graves). Este tipo de testes é normalmente efetuado numa amostra de sangue, colhida através de uma “picada” no calcanhar do bebé (“teste do pézinho”), 2-3 dias após o nascimento.
(Ver também: Genética, Congénito)
Em Portugal, o rastreio neonatal genético é obrigatório para um conjunto específico de cerca de 28 doenças genéticas. Estes testes são dirigidos especialmente a doenças para as quais o diagnóstico precoce é importante, tanto para o tratamento como para a prevenção da doença (ex.: fenilcetonúria).
Método em que se estuda o ADN fetal livre (que não está contido no interior das células do feto), que existe em circulação no sangue da mãe.
Este tipo de rastreio é frequentemente aplicado à pesquisa de trissomias dos cromossomas 21, 18 e 13, permitindo avaliar o risco de o feto vir a apresentar trissomia 21, 18, ou 13. No entanto, pode também aplicar-se a outras e mais extensas regiões do genoma, permitindo avaliar o risco de alteração genética nessas regiões. Um risco alto deve ser sempre confirmado por outro teste genético de diagnóstico efetuado em ADN de células fetais, obtidas por biópsia de vilosidades coriónicas ou amniocentese.
(Ver também: Trissomia, Cromossoma, Genoma, Biópsia de vilosidades coriónicas, Amniocentese)
Fragmento de ADN, estudado por métodos de sequenciação de nova geração (NGS), que corresponde a uma secção do ADN presente na amostra que está a analisar.
(Ver também: ADN, Sequenciação de nova geração)
Durante uma sequenciação de nova geração (NGS) com técnicas de sequenciação paralela massiva , o genoma é fragmentado antes de ser sequenciado, de forma a obterem-se vários fragmentos de uma dada região da molécula de ADN. Cada um dos fragmentos sequenciados produz uma read registada no computador. O comprimento e número de reads produzidas variam de acordo com o tamanho do fragmento e da tecnologia utilizada. A “reconstrução” do genoma a partir delas depende da sobreposição dos fragmentos de ADN atrás referidos. Este processo é mais comum nas tecnologias que produzem reads curtas (short reads).
Por outro lado, existem outras tecnologias que não fragmentam o genoma e cujo resultado são reads muito longas (long-read sequencing). Neste caso, a “reconstrução” é menos sujeita a “erros” já que cada read corresponde a uma secção bastante longa e ininterrupta de ADN.
(Ver também: Sequenciação paralela massiva, Genoma, Sequenciação de ADN)
Troca de material genético que ocorre aleatoriamente durante a meiose. Pode envolver pares diferentes de cromossomas ou apenas um.
(Ver também: Meiose, Cromossoma)
As trocas de material genético durante a meiose levam a que os gâmetas (células reprodutivas) contenham combinações únicas de alelos. Desta forma, os cromossomas transmitidos pelos progenitores aos seus descendentes nunca são idênticos e, à exceção dos gémeos monozigóticos, cada pessoa é única em termos genéticos.
Por outro lado, um erro que ocorra durante o processo de recombinação e que seja transmitido, pode resultar em doença na criança, mesmo que não exista nos pais.
(Ver também: Gâmeta, Células reprodutivas, Alelo, Cromossoma, Gravidez gemelar monozigótica)
Estrutura especializada (organelo) que existe no interior de uma célula, onde se dá a produção (síntese) das proteínas.
(Ver também: Organelo, Célula, Proteína)
Os ribossomas são estruturas complexas constituídas por proteínas e ARN ribossomal. É aqui que a informação “copiada” do ADN, e transportada pelo ARN mensageiro, é lida e traduzida para unir aminoácidos e produzir polipéptidos, os quais farão parte das proteínas. O número de ribossomas numa célula é variável, e depende da quantidade de proteínas que a célula produz.
(Ver também: ARN, ADN, ARN mensageiro, Aminoácido, Péptido)
Probabilidade de uma pessoa que tenha uma determinada alteração (variante) genética transmitir essa variante à descendência.
(Ver também: Variante)
Este risco é difícil de calcular e pode ser influenciado tanto por fatores genéticos como ambientais. O valor pode ser mais alto em pessoas que já tenham familiares identificados com a mesma doença. O risco individual também pode ser mais elevado em pessoas que herdam uma dada variante num gene com penetrância alta, ou uma combinação de variantes em genes diferentes que aumente a sua suscetibilidade (predisposição) a uma doença. Para outras pessoas, o risco é maior por terem estado expostas a um ou mais fatores ambientais que facilitam o aparecimento de determinada doença.
(Ver, também, Fatores ambientais, Herdado, Variante, Gene, Penetrância e Suscetibilidade
Técnica usada em laboratório para identificar a ordem de pares de bases numa determinada secção do ADN.
(Ver também: Par de Bases, ADN)
O termo sequenciação refere-se a todas as técnicas de sequenciação, incluindo sequenciação tradicional (método de Sanger) ou de nova geração (NGS). O método aplicado depende do contexto clínico – pode ser suficiente sequenciar uma região pequena do ADN ou ser necessário efetuar uma sequenciação do genoma completo. Em qualquer das situações, a sequenciação consiste em efetuar, num tubo de ensaio, uma cópia do ADN em estudo e registar qual o nucleótido incorporado passo a passo.
(Ver também: Sequenciação de nova geração, Sequenciação do genoma completo)
Técnica usada em laboratório para identificar a ordem de pares de bases nas secções do ADN que têm informação específica para a produção de proteínas, cujo efeito é já conhecido em determinadas doenças. Não avalia todo o genoma.
(Ver também: Par de bases, ADN, Proteína, Genoma)
Tipo de sequenciação de nova geração (NGS) em que a informação sobre as sequências é obtida paralelamente em muitos locais do ADN e, depois, combinada para criar um “mapa”. Neste caso, o “mapa” é restrito à sequência de todas as regiões de ADN de um indivíduo que têm informação específica para a produção de proteínas que têm efeito já conhecido em determinadas doenças.
Pode ser aplicada a várias situações clínicas e fornecer informação importante para a aplicação de cuidados de saúde – seja prevenção, diagnóstico, acompanhamento ou, até, no tratamento de doenças genéticas.
(Ver também: Sequenciação de nova geração)
Técnica usada em laboratório para identificar a ordem de pares de bases no ADN, dirigida a todas as regiões que têm informação específica para a produção de proteínas (exões). Não avalia todo o genoma.
(Ver também: Par de bases, ADN, Proteína, Exão, Genoma)
Tipo de sequenciação de nova geração (NGS) em que a informação sobre as sequências é obtida paralelamente em muitos locais do ADN e, depois, combinada para criar um “mapa”. Neste caso, o “mapa” é restrito à sequência de todas as regiões de ADN de um indivíduo que têm informação específica para a produção de proteínas.
Pode ser aplicada a várias situações clínicas e fornecer informação importante para a aplicação de cuidados de saúde – seja prevenção, diagnóstico, acompanhamento ou, até, no tratamento de doenças genéticas.
(Ver também: Sequenciação de nova geração)
Técnica usada em laboratório para identificar a ordem de pares de bases no ADN em todo o ADN (genoma), codificante e não-codificante, do indivíduo, órgão ou tecido.
(Ver também: Par de bases, ADN, Genoma, Codificante)
Tipo de sequenciação de nova geração (NGS) em que a informação sobre as sequências é obtida paralelamente em muitos locais do ADN e, posteriormente, combinada para criar um “mapa” e obter a sequência completa de ADN de um indivíduo.
Pode ser aplicada a várias situações clínicas, incluindo doenças raras, e fornecer informação importante para a aplicação de cuidados de saúde – seja prevenção, diagnóstico, acompanhamento ou, até, no tratamento de doenças genéticas.
(Ver também: Sequenciação de nova geração)
Tecnologias de sequenciação que foram desenvolvidas depois da conclusão do Projeto do Genoma Humano (H.U.G.O.). Permitem sequenciar genomas completos mais rápido e com custos mais baixos.
(Ver também: Sequenciação de ADN, H.U.G.O, Genoma)
Usa sequenciação paralela massiva para determinar a ordem de bases no ADN (e, também, no ARN), ou em sequências (reads) mais curtas (short-reads) ou mais longas (long-reads). A informação sobre essas sequências é obtida paralelamente em muitos locais do ADN e, depois, combinada bioinformaticamente para criar um “mapa” e obter a sequência completa.
Pode ser aplicada a várias situações clínicas e fornecer informação importante para aplicação de cuidados de saúde – na prevenção, diagnóstico, acompanhamento e, em alguns casos, no tratamento de doenças genéticas.
(Ver também: Sequenciação paralela massiva, Base, ADN, ARN, Read, Bioinformática)
Métodos de sequenciação de alto rendimento que permitem “ler” simultaneamente a sequência de milhões de fragmentos curtos de ADN ou de ARN. (Ver também: Sequenciação de ADN, ADN, ARN)
Ao contrário da sequenciação de Sanger, a sequenciação paralela massiva permite sequenciar simultaneamente milhões de fragmentos de ADN. Isto permite obter resultados mais rapidamente e com uma melhor relação custo-benefício, recorrendo a análise por computador (ferramentas bioinformáticas). Essas vantagens têm sido fundamentais na aplicação desta tecnologia nos cuidados de saúde e para vários tipos de doença genética.
(Ver também: Bioinformática)
Conjunto de características, sinais, sintomas e/ou achados clínicos que tendem a ocorrer ao mesmo tempo numa pessoa e que apresentam uma associação estável e frequentemente associada a uma determinada doença.
Algumas síndromes têm uma causa genética. Podem resultar de uma alteração cromossómica (ex.: síndrome de Down, causada por trissomia do cromossoma 21), ou de um gene (síndrome de CHARGE, causada por variantes no gene CHD7).
(Ver também: Cromossoma, Trissomia, Gene, Variante, Gene)
ver Polimorfismo
Pequena molécula de ADN ou ARN, desenhada para emparelhar com uma região específica do genoma.
(Ver também: ADN, ARN, Genoma)
A sondas são sequências de ADN ou de ARN de cadeia simples, utilizadas para identificar sequências específicas de ADN ou ARN nas amostras a analisar. O seu desenho é complementar ao do genoma em estudo, de forma a que quando colocados juntos, a sonda emparelha com a sequência-alvo. O objetivo de utilizar uma sonda é que ela seja facilmente detetada, quer através de fluorescência, quer através de marcação radioativa.
As suas aplicações em testes genómicos (clínicos) são muito diversas e vão desde a hibridação in situ fluorescente (FISH), à PCR quantitativa e, até, aos microarrays.
(Ver também: FISH, PCR, Microarray)
Processo complexo em que a informação das regiões não-codificantes de um gene (intrões) são “cortadas” de uma cadeia de ARN mensageiro, ficando apenas a informação das regiões codificantes (exões).
(Ver também: Gene, Intrão, ARN mensageiro, Codificante, Exão)
A “eliminação” dos intrões da cadeia de ARN inicialmente “copiada” a partir do gene, faz parte do processo de maturação deste para o ARN mensageiro. A molécula que daí resulta, atravessa a membrana do núcleo e, nos ribossomas que existem no citoplasma (meio líquido no interior da célula), é produzida a proteína.
Se houver “erros” no splicing dos intrões, a estrutura (e função) da proteína pode ser alterada, ou serem produzidas proteínas diferentes, com consequências para o fenótipo. Esses erros também podem ser causados por variantes nos genes. O splicing também é utilizado normalmente pela célula para gerar variantes da proteína (ex.: se levar a que no ARN messageiro falte a informação codificante de alguns exões, isso pode criar variações subtis (modulação) nas propriedades funcionais da proteína).
(Ver também: ARN, Núcleo, Ribossoma, Citoplasma, Célula, Proteína, Fenótipo, Variante)
Predisposição que uma pessoa tem para ser afetada por uma determinada doença.
Esta predisposição pode depender apenas de fatores genéticos, ou de uma combinação entre fatores genéticos e ambientais.
(Ver também: Fatores ambientais)
ver Variante estrutural
Sequências de ADN repetitivas que existem na extremidade dos cromossomas. Estas sequências funcionam como “tampas” protetoras que impedem o desgaste dos cromossomas.
(Ver também: ADN, Cromossoma)
Embora não existam genes nas regiões dos telómeros, eles são importantes para a estrutura e função dos cromossomas. Sempre que a célula se divide, os telómeros ficam um pouco mais “curtos” até que, a dada altura, tornam-se tão curtos que a célula deixa de se dividir corretamente e envelhece. As células de tumor ativam frequentemente mecanismos para manter o tamanho dos telómeros e a sua capacidade de se dividirem. Noutros casos, algumas células não mantêm os telómeros de forma adequada, daí resultando doenças como, por exemplo, a disqueratose congénita.
(Ver também: Gene, Cromossoma, Célula)
Técnica que transfere para um doente um ou mais genes para tratar, prevenir ou curar uma doença ou alteração clínica.
(Ver também: Gene)
Este tipo de tratamento constitui uma forma mais direta de tratar doenças (genéticas ou não). O princípio-base destas tecnologias é que se façam alterações de forma específica e intencional no ADN do doente para prevenir, curar ou aliviar uma doença genética. Isto pode ser feito de várias formas possíveis:
– Adicionando uma nova cópia (“normal”) do gene, nos casos em que o gene não existe ou funciona mal;
– Bloqueando um gene que funcione mal (ex: que produz uma proteína alterada);
– Alterando a altura ou o local em que um gene é ativado.
A terapia génica pode curar a longo prazo porque altera de forma permanente o ADN da célula. Sempre que essa célula se divida, irá transmitir as alterações efetuadas às células-filhas. No entanto, essas alterações não serão transmitidas pelo doente aos seus descendentes, porque elas são dirigidas a células somáticas específicas e não às células reprodutivas.
Este tipo de tecnologia pode ser aplicada tanto a doenças congénitas (ex: anemia falciforme) como a doenças adquiridas (ex.: leucemias). No entanto, só é possível aplicá-la quando se conhecem os genes envolvidos nas doenças em causa e a função dos mesmos e, ainda, estar disponível uma forma eficaz e segura de transferir ou modificar o gene em causa.
(Ver também: ADN, Proteína, Célula, Célula-filha, Célula somática, Célula reprodutiva)
Tipo de teste genético que avalia se uma pessoa, ou um familiar, que ainda não tem sintomas (assintomática) de uma determinada doença genética, tem uma ou mais variantes de um ou mais genes que possam causar a referida doença no futuro.
Existem variantes em genes que foram já associadas a um risco aumentado de a pessoa vir a desenvolver certas doenças. Se, para uma dada pessoa, forem testadas essas variantes, é possível prever a probabilidade (risco) de ela vir a desenvolver a doença em causa.
Ainda que uma pessoa tenha uma ou mais variantes específicas causadoras de doença, não é obrigatório que venha a desenvolvê-la. A única exceção é a Doença de Huntington, com uma penetrância de 100%. No entanto, e dependendo da doença, o conhecimento do aumento de risco de doença pode ser bastante útil para o acompanhamento clínico da pessoa em risco, mudança de hábitos de vida e/ou tratamento preventivo com medicamentos ou cirurgia.
(Ver também: Variante, Gene, Penetrância)
Testes de laboratório que permitem detetar a presença, ausência ou modificação de uma determinada sequência de ADN, gene ou cromossoma. Incluem-se os testes indiretos para os produtos génicos ou suas proteínas específicas, indicativas de uma modificação genética na linha germinal ou somática. De acordo com o que se pretende avaliar, a metodologia do teste pode ser de Citogenética/Citogenómica, de Genética Molecular, ou de Genética Bioquímica.
(Ver também: ADN, Gene, Cromossoma, Proteína, Germinal, Somática)
Estes testes contribuem para o rastreio, diagnóstico, tratamento, acompanhamento e/ou prevenção de doenças humanas, ou de qualquer modificação do estado de equilíbrio fisiológico. Os resultados podem ser usados para calcular a probabilidade (risco) de os progenitores transmitirem uma variante genética aos seus descendentes.
Os testes genéticos podem ser realizados antes (pré-natal) ou depois (pós-natal) do nascimento. Há, ainda, a possibilidade de serem usados para estudar o genoma de tumores, em alguns tipos de cancro.
A timina (T) é uma das quatro bases químicas do ADN. As outras três são adenina (A), citosina (C) e guanina (G) no ADN. No ARN, a timina é substituída por uracilo (U). No ADN a timina emparelha com a base adenina.
(Ver também: ADN, Adenina, Citosina, Guanina, ARN, Uracilo)
A cadeia dupla de ADN contém a informação genética de uma célula. Serve de molde para produzir novas cadeias de ADN e, também para produzir a cadeia de ARN mensageiro que vai transportar essa informação e permitir que a célula produza proteínas. O emparelhamento das bases A-T e C-G é muito importante para que a informação seja transmitida corretamente. Se houver uma alteração numa das bases, a sequência sofre modificações, podendo numa variante que cause doença.
(Ver também: Célula, ARN mensageiro, Proteína, Variante)
Em Genética, tradução refere-se ao processo pelo qual a informação contida no ADN das células guia a adição de aminoácidos durante a produção de uma proteína (síntese proteica).
(Ver também: Genética, ADN, Célula, Aminoácido, Proteína)
A tradução é um dos processos biológicos mais importantes, sendo fundamental para a determinação das proteínas que devem ser produzidas. Ocorre no citoplasma (meio líquido no interior da célula), especificamente numas estruturas designadas ribossomas, tendo como base a informação contida no ARN mensageiro para criar uma cadeia de aminoácidos (cadeia polipeptídica). À informação contida em cada conjunto de três pares de bases no ADN, vai corresponder um conjunto complementar (codão) no ARN mensageiro e, por sua vez, a um conjunto no ARN de transferência (tRNA). Cada conjunto de três pares de bases no tARN é carregado com um aminoácido específico. Ou seja, a sequência de bases no ADN determina, em última análise, a sequência e a ordem pelas quais os aminoácidos são adicionados e consequentemente a sequência da proteína é produzida.
Por vezes, ocorrem erros na sequência de bases do ADN, que resulta na adição do aminoácido errado pelo tRNA, o que pode levar à produção de uma proteína alterada na sua estrutura e/ou na sua função.
(Ver também: Citoplasma, Ribossoma, ARN mensageiro, Péptido, Par de bases, Codão)
Em Genética, a transcrição refere-se ao processo pelo qual são produzidas moléculas de ARN mensageiro (mRNA) a partir de um gene no ADN.
(Ver também: Genética, ARN mensageiro, ADN, Gene)
O genoma é constituído por regiões que têm informação para produzir proteínas e outras que não (regiões codificantes e não-codificantes, respetivamente). Durante a transcrição, um gene é “lido” e serve como molde para produzir ARN mensageiro. Posteriormente, são “eliminadas” as regiões não-codificantes (intrões), ficando unidas as regiões codificantes (exões) do gene, porque serão essas a determinar a ordem dos aminoácidos da proteína que será produzida. Assim, o ARN mensageiro funciona como transportador da informação genética contida no ADN no interior do núcleo, até aos ribossomas que existem no citoplasma (meio líquido no interior das células) onde são produzidas as proteínas.
A transcrição é fortemente regulada por proteínas específicas, chamadas fatores de transcrição. Estas reconhecem e interagem com regiões que regulam a atividade dos genes para iniciar o processo de transcrição. Uma vez iniciado o processo, uma enzima (ARN polimerase) desloca-se ao longo da sequência do gene, adicionando um nuceótido de cada vez à molécula de ARN que está a ser produzida.
Apesar da forte regulação, o processo é complexo. Em caso de desregulação, e consequente doença, as células podem produzir proteínas quando não seria de supor ou, pelo contrário, não serem produzidas quando seria necessário.
Em resumo, a transcrição funciona como se a informação contida no ADN fosse um livro que é necessário ler, copiar e depois traduzir de um idioma para outro.
(Ver também: Genoma, Proteína, Codificante, Intrão, Exão, Aminoácido, Núcleo, Ribossoma, Citoplasma, Célula)
Conjunto completo das moléculas de ARN transcritas a partir do genoma de pessoas, tecidos ou células.
(Ver também: ARN, Transcrito, Genoma, Célula)
O genoma fornece as instruções para a produção, tanto de proteínas como de moléculas baseadas no ARN, tais como o ARN ribossomal, os ARNs de transferência e outros. Esta informação está contida no núcleo das células, sendo necessário que o ADN seja primeiro transcrito em ARN.
No entanto, os genes não estão todos ativos, nem são todos transcritos, ao mesmo tempo. O transcriptoma reflete quais os genes que estão a ser ativamente transcritos em ARN numa determinada célula ou tecido.
(Ver também: Proteína, Núcleo, ADN, Transcrito, Gene)
Área científica que estuda o conjunto completo das moléculas de ARN transcritas a partir do genoma (transcriptoma), de pessoas, tecidos ou células.
(Ver também: ARN, Transcrição, Genoma, Transcriptoma, Célula)
ver Transcriptoma.
Sequência de ARN que é produzida a partir de uma sequência de ADN.
ver Transcrição.
Tipo de variante estrutural em que um cromossoma troca um segmento com outro cromossoma. Em geral, ocorre uma quebra em cada um dos cromossomas envolvidos e a célula reúne os fragmentos daí resultantes, mas em cromossomas diferentes.
(Ver também: Variante, Célula, Cromossoma)
As translocações são alterações cromossómicas que envolvem a troca de material genético entre dois cromossomas de pares diferentes. Quando são equilibradas, não existe ganho nem perda de material genético associados à quebra e reunião dos segmentos. Apesar de para esse indivíduo não haver desequilíbrio, pode haver quando ele transmite o rearranjo aos seus descendentes e daí resultar doença genética. Em alguns casos, a recombinação que ocorre durante a meiose pode levar a que haja perdas e/ou ganhos (translocação desequilibrada) que, por sua vez, podem ter consequências clínicas. Por outro lado, mesmo em situações em que não exista um desequilíbrio visível, o simples facto de ocorrer uma quebra e/ou reunião, pode afetar a sequência normal de um gene ou de um dos fatores que regulam a sua atividade. No caso de leucemias e linfomas, é ainda frequente ocorrer a fusão de dois genes, através da reunião dos segmentos. Daí resulta numa proteína híbrida que provoca a multiplicação descontrolada da célula e consequente doença.
Embora possa ser possível detetar estes tipos de translocação microscopicamente, através do estudo do cariótipo, em muitos casos, só é possível avaliar ganhos e/ou perdas de regiões mais pequenas de material genético, através do teste de microarray ou de outra tecnologia de base molecular.
(Ver também: Equilibrada, Recombinação, Desequilibrado, Meiose, Gene, Proteína, Cariótipo, Microarray)
Tipo de variante estrutural em que os braços longos de dois cromossomas acrocêntricos se unem pelo centrómero.
(Ver também: Variante, Cromossoma, Acrocêntrico, Centrómero)
As translocações robertsonianas constituem um tipo específico de translocação que envolve a união entre os braços longos de dois dos cinco cromossomas acrocêntricos humanos. Os braços curtos destes cromossomas não têm material genético com importância clínica. Assim, estas translocações são geralmente equilibradas para uma pessoa (não envolvem perda nem ganho de material genético relevante). Mas, quando essa pessoa transmite a translocação aos descendentes, estes podem ter material genético extra ou em falta. Nesse caso, a translocação seria desequilibrada, o que teria consequências clínicas.
(Ver também: Translocação, Braço longo, Braço curto, Acrocêntrico, Equilibrada, Desequilibrada)
Alteração do número de cópias de um dado cromossoma, que passam a ser três, em vez de duas. Exemplo: trissomia do cromossoma 21 que causa a síndrome de Down.
(Ver também: Cromossoma, Síndrome)
Uma trissomia é uma alteração cromossómica que envolve um ganho no número de cromossomas de um par – em vez de dois cromossomas, passam a existir três. Esse tipo de alteração faz parte de um grupo de anomalias cromossómicas designado aneuploidias. Em geral, e exceto as que envolvem os cromossomas sexuais (X e Y), as trissomias da maioria dos cromossomas não são viáveis, isto é, ainda que possam ser detetadas num embrião ou feto, geralmente não chegam a nascer (aborto precoce) ou não sobrevivem após o nascimento. As trissomias viáveis mais comuns e doenças genéticas associadas (síndromes) detetadas em diagnóstico pré-natal são: trissomia 21 (que causa síndrome de Down), trissomia 18 (que causa síndrome de Edwards) e trissomia 13 (que causa síndrome de Patau). Relativamente às trissomias que envolvem os cromossomas X e Y, as mais comuns são: trissomia X (síndrome do triplo X) e síndrome de Klinefelter (XXY).
Tal como outras alterações cromossómicas, as trissomias também podem ocorrer em caso de cancro. Neste caso, não levam a perda de viabilidade, mas podem influenciar o crescimento e a progressão do tumor, bem como a resposta ao tratamento.
Embora uma trissomia possa também ser detetada por microarray e técnicas de genética molecular, o cariótipo é o teste genético mais adequado porque permite identificar o mecanismo pelo qual a trissomia ocorre. Esta informação é importante para avaliar a probabilidade (risco) de a alteração voltar a acontecer noutras gestações do casal ou em outros membros da família.
(Ver também: Aneuploidia, Cromossoma sexual, Diagnóstico Pré-Natal, Cromossoma X, Cromossoma Y, Microarray, Cariótipo).
ver Cancro
O uracilo (U) é uma das quatro bases químicas do ARN. As outras três são adenina (A), citosina (C) e guanina (G). No ADN, em vez da base uracilo (U) existe a base timina (T). O uracilo do ARN emparelha com a base adenina da cadeia molde de ADN.
(Ver também: Base, ARN, Adenina, Citosina, Guanina, ADN, Timina)
A cadeia dupla de ADN contém a informação genética de uma célula. Serve de molde para produzir novas cadeias de ADN e, também, para produzir a cadeia de ARN mensageiro que vai transportar essa informação e permitir que a célula produza proteínas. O emparelhamento das bases A-U e C-G é muito importante para que a informação seja transmitida corretamente. Se houver uma alteração numa das bases, a sequência será modificada, podendo daí resultar uma variante que cause doença.
(Ver também: Célula, ARN mensageiro, Proteína, Variante)
Diferenças que existem naturalmente entre as sequências de ADN de pessoas ou populações.
(Ver também: ADN)
Esta variação é importante para a diversidade na espécie humana. Ela contribui para as diferenças entre pessoas, desde a aparência física, até à forma como respondem a determinados medicamentos. A variação genética/genómica pode contribuir para:
– Ocorrência de determinadas doenças mais (ou menos) raras;
– Uma susceptibilidade (predisposição) aumentada ou diminuída para alguns problemas de saúde mais comuns;
– Ou não ter nenhum efeito visível inicialmente no fenótipo. Neste caso, o efeito pode revelar-se após a exposição a um novo fator ambiental a que a pessoa seja sujeita.
(Ver também: Susceptibilidade, Fenótipo)
Qualquer alteração na sequência do ADN de uma pessoa. Pode causar doença (variante patogénica) ou não (variante benigna).
(Ver também: ADN, Variante patogénica, Variante benigna)
Uma alteração pode causar doença se levar a que uma proteína mude ou perca a sua função. Atualmente, utiliza-se a designação variante patogénica, em vez do termo mutação, para descrever uma alteração no ADN que causa doença.
Quando o efeito de uma variante não é, ainda, conhecido ela é denominada variante de significado desconhecido (VUS, do inglês variant of unknown significance), o que impede a conclusão do diagnóstico de um estudo genético. Ou seja, quando se deteta uma VUS não é possível avaliar, com certeza, o impacto da variante no fenótipo.
(Ver também: Proteína, Mutação, Variante de significado desconhecido, Fenótipo)
Qualquer alteração na sequência do ADN de uma pessoa, cujo efeito não está associado a doença.
(Ver também: ADN)
Quando os casos descritos com a variante não estão associados a doença, a variante denomina-se “variante benigna”.
Ver CNV
Qualquer alteração na sequência do ADN de uma pessoa, cujo efeito clínico ainda não é conhecido.
(Ver também: ADN)
Quando o efeito de uma alteração no ADN (variante) não é, ainda, conhecido ela é denominada variante de significado desconhecido (VUS, do inglês variant of unknown significance). A classificação pode mudar posteriormente, quando existir mais informação disponível e/ou casos associados a doença, passando a designar-se “variante patogénica”. Se os casos descritos com a variante não estiverem associados a doença, a variante passa a denominar-se “variante benigna”.
(Ver também: Variante, Variante patogénica, Variante benigna)
Alterações no ADN que afetam a estrutura da molécula. Neste caso, secções de ADN podem ser adicionadas (inserções), eliminadas (deleções), reposicionadas (translocações ou inversões) ou duplicadas (duplicações).
(Ver também: ADN, Inserção, Deleção, Translocação, Inversão, Duplicação)
Existem múltiplos tipos de variantes possíveis, alguns dos quais podem alterar a estrutura do genoma. Os mecanismos que as causam podem adicionar, eliminar, reposicionar ou duplicar regiões. O tamanho da variante pode não corresponder ao impacto que essa variante pode ter. Por exemplo, grandes “pedaços” de cromossomas podem ser trocados entre si (translocações), sem que se observem efeitos prejudiciais aparentes. Por outro lado, podem ocorrer perdas (deleções) ou ganhos (inserções, duplicações) de poucos pares de bases que alteram a sequência de leitura de tal forma que o ARN mensageiro e proteína que daí resultam sejam ser mais “curtos” ou não-funcionais. Dependendo do tamanho, as variantes estruturais podem ser detetadas com recurso a técnicas como microarray, FISH, outras técnicas de base molecular ou, ainda, no caso de secções de DNA grandes, a cariótipo.
(Ver também: Variante, Genoma, Par de bases, ARN mensageiro, Proteína, Microarray, FISH, Cariótipo)
Qualquer alteração na sequência do ADN de uma pessoa, cujo efeito está associado a doença.
(Ver também: ADN)
Se a presença da alteração (variante) levar a que a respetiva proteína mude ou perca a sua função, a variante pode causar doença. Atualmente, utiliza-se a designação “variante patogénica”, em vez do termo “mutação” para descrever uma alteração no ADN que cause doença.
Célula que se forma a partir da união de dois gâmetas, um óvulo (célula reprodutiva feminina) com um espermatozóide (célula reprodutiva masculina).
(Ver também: Célula, Gâmeta, Óvulo, Célula reprodutiva, Espermatozóide, Gâmeta)
Quando um espermatozóide e um óvulo se fundem, durante o processo de fecundação, forma-se um zigoto. Seguidamente, esta célula divide-se várias vezes, formando um embrião e, posteriormente, um feto. Quaisquer variantes genéticas que existam no zigoto, sejam elas patogénicas ou benignas, herdadas ou não, serão transmitidas a todas as células-filhas. Assim, em geral, estarão presentes em todas as células da pessoa quando esta nasce.
(Ver também: Fecundação, Zigoto, Variante, Variante benigna, Variante patogénica, Herdado, Célula-filha, Célula)
Moléculas biológicas grandes, constituídas por unidades mais pequenas – os nucleótidos.
(Ver também: Nucleótidos)
O estudo dos ácidos nucleicos de uma pessoa pode permitir obter o diagnóstico de uma doença genética e, em alguns casos, escolher tratamentos específicos.
Representação gráfica das relações entre membros de uma família (história familiar) que inclui informação sobre se apreesentam ou não uma dada doença (ou característica).
A árvore genealógica permite verificar as relações entre membros de uma família e, se houver informação disponível, indica quais as pessoas que apresentam uma dada característica. Em muitos casos, o seu estudo permite, ainda, avaliar os riscos de transmissão de uma dada doença.
Métodos que permitem analisar moléculas biológicas em larga escala. Em geral, permitem obter um conhecimento aprofundado sobre a estrutura, função e dinâmica de células, tecidos ou organismos.
(Ver também: Célula)
As (tecnologias) ómicas incluem, entre outras, a genómica, a transcriptómica e a proteómica. Na saúde, podem ser aplicadas a várias situações clínicas e fornecer informação importante para a aplicação de cuidados de saúde – seja na prevenção, no diagnóstico, no acompanhamento ou, até, no tratamento de doenças genéticas.
(Ver também: Genómica, Transcriptómica, Proteómica)
Gâmeta (célula reprodutiva) feminino.
(Ver também: Gâmeta)
Os óvulos são formados através do processo de meiose e contêm a contribuição genética materna para cada descendente. Cada óvulo é haplóide, ou seja, contém uma única cópia de cada cromossoma, incluindo um cromossoma X. Durante a fecundação, dá-se uma fusão entre um óvulo e um espermatozóide, para formar um célula (zigoto) diplóide, i.e., tem duas cópias de cada cromossoma, incluindo um par de cromossomas sexuais (XX ou XY). Posteriormente, esse zigoto pode dar origem a um indivíduo completo. Todo o ADN mitocondrial que esse zigoto contém tem origem no óvulo.
(Ver também: Meiose, Haplóide, Cromossoma, Cromossoma X, Fecundação, Espermatozóide, Célula, Zigoto, Diplóide, Cromossoma, Cromossoma sexual, ADN)