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Glossário de Genética Humana

A

Achados relevantes #

Resultados de um teste genético que apresentam uma maior probabilidade de estarem relacionados com o motivo clínico pelo qual o mesmo foi requisitado.

Importância na Saúde

Os resultados dos testes genéticos podem estar relacionados com o motivo clínico pelo qual são requisitados (achados relevantes) ou não (achados incidentais). No caso dos testes genómicos, é frequente observarem-se achados incidentais, porque esses testes avaliam uma quantidade maior de informação do genoma do que os testes mais dirigidos a uma região específica.

A distinção entre relevante e incidental é muito importante para o aconselhamento genético da pessoa e/ou família, especialmente para calcular o risco de doença genética de forma mais precisa.

(Ver também: Genómico, Genoma, Aconselhamento Genético)

Aconselhamento genético #

Processo que permite ajudar a pessoa a entender e adaptar-se às implicações genéticas, médicas, psicológicas e familiares que alguns fatores genéticos podem ter na sua saúde.

Importância na Saúde

O aconselhamento genético antes e depois da realização de testes genéticos/genómicos é fundamental. Fornece às pessoas informação correta sobre os testes disponíveis, bem como as suas vantagens e desvantagens, para que elas possam tomar a decisão que melhor se adapte a si e à sua situação. Após a realização de teste(s), o aconselhamento ajuda na interpretação dos resultados e a entender as suas potenciais implicações dos mesmos. Possibilita, ainda, avaliar os riscos de uma dada alteração genética para a pessoa e para a sua família. Dada a complexidade e potencial impacto de todas essas informações, o aconselhamento deve ser efetuado por profissionais de saúde especializados.

(Ver também: Genética, Genómica)

Acrocêntrico #

Cromossoma cujo centrómero se localiza na extremidade do cromossoma, em vez da posição central como se verifica na maioria dos outros cromossomas. Na espécie humana, existem cinco pares de cromossomas acrocêntricos (pares 13, 14, 15, 21 e 22).

(Ver também: Cromossoma, Centrómero)

Importância na Saúde

Os braços curtos dos cromossomas acrocêntricos em geral não contêm material genético com relevância clínica. Isto significa que, ainda que haja uma perda dos mesmos não são esperadas consequências para a saúde. Isto é o que ocorre num tipo de alteração cromossómica denominada translocação robertsoniana. Estas anomalias envolvem a união entre os braços longos de dois cromossomas acrocêntricos, sem que haja perda nem ganho de material genético relevante. Isto significa que este tipo de translocação é geralmente equilibrada. Mas, quando a pessoa transmite a translocação aos descendentes, estes podem ter material genético extra ou em falta. Nesse caso, a translocação seria desequilibrada e ter consequências clínicas.

(Ver também: Braço curto, Translocação, Braço longo, Desequilibrado)

Adenina #

A adenina (A) é uma das quatro bases químicas do ADN e do ARN. As outras três são citosina (C), guanina (G) e timina (T) no ADN, esta última substituída por uracilo (U) no ARN. No ADN, a adenina emparelha com a base timina e, para a produção do ARN, com a base uracilo.

(Ver, também, ADN, ARN, Citosina, Guanina, Timina e Uracilo.

Importância na Saúde

A cadeia dupla de ADN contém a informação genética de uma célula. Serve de molde para produzir novas cadeias de ADN e, também, para produzir a cadeia de ARN mensageiro que vai transportar essa informação e permitir que a célula produza proteínas. O emparelhamento das bases A-T e C-G, feito por ligações de hidrogénio, é muito importante para que a informação seja transmitida corretamente. Se houver uma alteração numa das bases, a sequência é modificada e pode resultar numa variante que cause doença.

(Ver também: Célula, ARN mensageiro, Proteína, Variante)

ADN #

O ADN (em português, ácido desoxirribonucleico) ou ADN (sigla internacional, do inglês deoxyribonucleic acid) é a molécula que contém a informação genética de uma célula, tecido, ou indivíduo. A estrutura tem um aspeto semelhante a uma escada “em caracol”, porque as duas cadeias “enrolam-se” entre si, formando uma espiral – a chamada dupla hélice.

(Ver também: Célula, Dupla hélice)

Saiba mais neste vídeo: DNA: Os ficheiros secretos | Ep. 5

Importância na Saúde

O ADN é constituído por blocos (os nucleótidos) que diferem nas bases químicas que os compõem – adenina (A), citosina (C), guanina (G) e timina (T). As bases de uma cadeia emparelham exatamente com as da outra cadeia (A-T; C-G), ou seja as cadeias que formam a dupla hélice de uma molécula de ADN são complementares, ou seja como chave e fechadura. As instruções contidas nessas moléculas incluem toda a informação necessária para o crescimento e funcionamento do corpo. Se houver alterações na sequência do ADN elas podem ter consequências importantes na saúde da pessoa.

(Ver também: Nucleótido, Base, Adenina, Citosina, Guanina, Timina)

Alelo #

Forma alternativa (variante) de uma sequência de ADN que existe numa posição específica (locus) de um cromossoma. Para a maioria dos genes, uma pessoa herda um alelo da mãe e outro do pai. Se os dois alelos forem iguais a pessoa é homozigótica. Se os alelos forem diferentes, a pessoa é heterozigótica.

(Ver também: Variante, Locus, Gene, Herdado, Homozigótico, Heterozigótico)

Importância na Saúde

Cada forma alternativa da sequência de ADN é uma variante. Pode ser uma variante benigna (não causar doença) ou patogénica (causar doença). Assim, alguns alelos (mas nem todos) podem ter consequências clínicas. Ex.: no gene BRCA1 foram identificadas mais de 1000 variantes patogénicas, ou seja, mais de 1000 alelos que podem causar doença.

(Ver também: ADN, Variante, Variante benigna, Variante patogénica)

Aminoácido #

Os aminoácidos são os “blocos de construção” químicos que compõem as proteínas. Existem 20 aminoácidos diferentes, que podem ser combinados de modos variados, para formar as várias proteínas produzidas pelo nosso corpo.

(Ver também: Proteína)

Importância na Saúde

Uma proteína é formada por uma ou várias cadeias de aminoácidos (chamadas polipéptidos), cuja sequência é determinada pela sequência de ADN no gene respetivo. A ordem dos aminoácidos determina a estrutura e função da proteína. Assim, alterações na sequência de ADN podem afetar a função da proteína. O estudo dessas alterações pode ajudar a perceber a causa de uma doença e avaliar o tratamento a aplicar.

(Ver também: Péptido, ADN, Gene)

Amniocentese #

Procedimento que permite colher uma pequena amostra de células do líquido amniótico que rodeia um feto, para efetuar alguns tipos de testes (genéticos ou não).

Importância na Saúde

Algumas doenças genéticas podem ser diagnosticadas durante a gravidez a partir de células fetais. A amniocentese é um dos vários processos que permitem obter material genético do feto para efetuar esses testes genéticos. Os riscos deste procedimento devem ser previamente discutidos com a grávida/casal para que possam tomar uma decisão informada.

Amplificação génica #

Aumento do número de cópias de um gene contidas no genoma de uma pessoa.

(Ver também: Gene, Genoma)

Importância na Saúde

As células de tumores contêm, muitas vezes, múltiplas cópias de um gene (ou genes). Tal contribui para o seu crescimento em resposta a sinais de outras células ou a fatores ambientais.

(Ver também: Célula, Cancro, Gene, Fatores ambientais)

Aneuploidia #

Presença de um número anormal de cromossomas numa célula, superior ou inferior ao número normal que, no ser humano, é 46. As aneuploidias mais comuns envolvem um cromossoma extra num determinado par de cromossomas (ou seja, uma trissomia) ou um cromossoma em falta num determinado par (isto é, uma monossomia).

(Ver também: Cromossoma, Célula, Trissomia, Monossomia)

Importância na Saúde

Algumas das doenças genéticas mais comuns resultam de aneuploidia.

A maioria das monossomias não é compatível com a vida, exceto a monossomia do cromossoma X. No caso das trissomias, existe uma probabilidade alta de malformações graves no feto, o que resulta em abortos espontâneos em fases iniciais da gravidez.

Algumas trissomias e monossomias têm uma maior taxa de sobrevivência, incluindo a síndrome de Down (por trissomia do cromossoma 21), a síndrome de Edwards por (trissomia do cromossoma 18), a síndrome de Patau (por trissomia do cromossoma 13) e as síndromes de Turner (monossomia do cromosoma X) e de Klinefelter (XXY). As células de alguns tumores também podem apresentar aneuploidia, o que pode promover o crescimento e a evolução do tumor e condicionar a resposta à terapia.

(Ver também: Cromossoma X, Síndrome, Cancro)

Anomalia congénita #

Alteração (genética ou não) que está presente desde o nascimento.

Importância na Saúde

Estas anomalias podem ser transmitidas pelos progenitores aos seus descendentes (isto é, serem hereditárias) ou terem sido geradas de novo durante o desenvolvimento embrionário, em resultado de uma ação/exposição a fatores externos durante a gravidez (ou no nascimento). Podem, ainda, ser causadas por uma combinação de ambas as causas.

(Ver também: Hereditário De novo, Fatores ambientais)

Anomalia cromossómica #

Alteração que afeta o número e/ou a estrutura dos cromossomas.

(Ver também: Cromossoma)

Importância na Saúde

As anomalias cromossómicas, e as doenças que delas resultam (cromossomopatias), são as alterações genéticas mais frequentes no ser humano. Podem afetar o número (anomalias numéricas) ou a estrutura (anomalias estruturais) dos cromossomas. As consequências para o fenótipo dependem do tipo de alteração e do(s) cromossoma(s) envolvido(s).

(Ver também: Cromossomopatias, Cromossomas, Fenótipo)

ARN (RNA) #

O ARN (ácido ribonucleico), ou RNA (sigla internacional, do inglês ribonucleic acid), é um tipo de ácido nucleico, ou seja é uma molécula que, tal como o ADN, é composta por nucleótidos. Existem vários tipos de ARN, com funções diferentes na célula.

(Ver também: Ácido nucleico, ADN, Nucleótido, Célula)

Saiba mais neste vídeo: RNA: Os intérpretes | Ep. 6

Importância na Saúde

O ARN, tal como o ADN, é constituído por nucleótidos que diferem nas bases químicas que os compõem – adenina (A), citosina (C), guanina (G) e uracilo (U) – mas, neste caso, tem a ribose, em vez da desoxirribose existente no ADN. A cadeia de ARN mensageiro é produzida tendo a cadeia de ADN como molde que determina o correto emparelhamento dos nucleótidos (A-U; C-G) . Isto significa que a cadeia de uma molécula de ARN mensageiro (mRNA) é complementar à cadeia de ADN que lhe serve de molde. O ARN é muito importante para a célula descodificar a informação contida no ADN e produzir proteínas. O ARN mensageiro é produzido a partir do ADN, e transporta a informação para fora do núcleo. Outros tipos de ARN copiados de genes são o ARN ribossomal, que é parte constituinte dos ribossomas, e o ARN de transferência que transporta os aminoácidos para que, nos ribossomas, se produzam as proteínas de acordo com a informação contida no mRNA. Alguns tipos de ARN também participam na regulação da expressão dos genes. Além das alterações na sequência do ADN, erros na produção ou processamento da cadeia de ARN podem ter consequências importantes na saúde de um indivíduo.

(Ver também: Base, Adenina, Citosina, Guanina, Uracilo, ARN mensageiro, Proteína, Núcleo, Gene, Ribossoma, Aminoácido, Expressão génica)

ARN mensageiro (mRNA) #

Tipo de ARN de cadeia simples que está envolvido na produção de proteínas.

(Ver também: ARN, Proteína)

Importância na Saúde

O ARN mensageiro é produzido como cópia de uma cadeia de ADN que serve de molde. A sua função é transportar a informação de um gene (contido no núcleo de uma célula), para o citoplasma (meio líquido no interior da célula) onde está localizada a “maquinaria” (ribossomas) que irá ler a informação e produzir a proteína correspondente. Isto significa que o mARN transporta uma cópia da informação do ADN e transmite-a aos ribossomas, onde são unidos os aminoácidos, formando-se uma cadeia (péptido) que irá fazer parte da proteína que estava codificada no ADN.

Se estudarmos o conjunto das sequências de mARN presentes numa célula, por técnicas específicas de sequenciação, podemos perceber quais os genes que estão “ativos” (isto é, a serem expressos) e os que não estão. Esta informação pode ser importante para detetar anomalias na atividade dos genes, o que pode ser útil para identificar possíveis alvos para tratamento, com medicamentos que bloqueiem ou estimulem a atividade desses genes (regulação da expressão génica).

(Ver também: ADN, Gene, Núcleo, Célula, Citoplasma, Ribossoma, Proteína, Aminoácido, Péptido, Sequenciação de ADN, Expressão génica)

Autossoma #

Qualquer um dos pares de cromosossomas (1-22) humanos, excepto o par de cromossomas sexuais (X e Y).

(Ver também: Cromossoma, Cromossoma sexual, Cromossoma X, Cromossoma Y)

Importância na Saúde

Uma célula com 46 cromossomas tem duas cópias de cada um dos 22 autossomas. Estes são numerados do 1 ao 22. Os cromossomas de cada par são herdados, um da mãe e outro do pai. Uma pessoa pode herdar um autossoma que contenha uma variante genética patogénica.

(Ver também: Herdado, Variante, Variante patogénica)

Autossómica dominante #

Um dos tipos de doença ou característica genética. Autossómica significa que o gene está localizado num autossoma (um dos pares de cromossomas 1 a 22). Dominante significa que basta que um dos alelos alterados de um gene esteja presente para que a característica que ele codifica se manifeste, mesmo que o outro alelo seja normal. Diz-se que o alelo, a característica, ou a doença, têm transmissão autossómica dominante.

(Ver também: Autossoma, Gene, Alelo)

Importância na Saúde

Uma pessoa que tenha um alelo de transmissão autossómica dominante tem uma probabilidade de cerca de 50% de o transmitir aos descendentes. Se esse alelo causar doença, isso significa que há um risco muito aumentado de a doença ser transmitida de geração em geração.

A doença de Huntington e os cancros hereditários são exemplos de doenças com este tipo de transmissão genética.

(Ver também: Hereditário, Cancro)

Autossómica recessiva #

Um dos tipos de doença (ou característica) genética. Autossómica significa que o gene está localizado num autossoma (um dos pares 1 a 22). Recessiva significa que são necessárias duas cópias do alelo de um gene para que a característica que ele origina se manifeste. Diz-se que o alelo, a característica, ou a doença, têm transmissão autosómica recessiva.

(Ver também: Alelo, Gene, Autossoma)

Importância na Saúde

Uma pessoa só herdará uma característica de transmissão autossómica recessiva se herdar dois alelos iguais de um gene, um da mãe e um do pai. Essa pessoa será homozigótica para esse alelo. Se tiver apenas um alelo alterado, e o outro normal, será heterozigótica. Se o alelo causar doença, as pessoas homozigóticas serão afetadas, mas as heterozigóticas não, embora sejam portadoras. Se ambos os progenitores forem portadores (heterozigóticos) terão um risco de cerca de 25% de transmitir a doença aos descendentes.

A anemia das células falciformes e a fibrose quística são dois exemplos de doenças com este tipo de transmissão.

(Ver também: Alelo, Homozigótico, Heterozigótico)